Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Moradores de outras regiões vão à Cracolândia atraídos por programa da Prefeitura

Reportagem da 'Rádio Estadão' constatou que parte deles acaba mendigando, enquanto outros pedem apoio a entidades religiosas

Marcel Naves, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2014 | 00h01

SÃO PAULO - Em meio à multidão de usuários de drogas que perambulam pelas ruas da Cracolândia, na Luz, região central de São Paulo, cresce o número de dependentes vindos de fora da capital atraídos pelos benefícios da operação Braços Abertos, da Prefeitura. São homens, mulheres e crianças até de outros Estados. Eles chegam em busca de emprego e de uma forma de se livrar do vício.

A reportagem da Rádio Estadão constatou que parte dos novos moradores acaba mendigando, enquanto outros pedem apoio a entidades religiosas.

O pernambucano José de Lima, de 48 anos, chegou há três semanas, vindo de Gravatá (PE). Sentado em um banco, aguardando o almoço servido por voluntários da Cristolândia, entidade religiosa que atua na área, ele afirma já ter encontrado apoio. "Estou encontrando ajuda e emprego, tento me adaptar, não é muito fácil."

Willian, de 30 anos, que veio de Goiás, também procura emprego. Inscrito nas frentes de trabalho do programa municipal, ele ainda espera uma colocação e sobrevive de doações.

Recuperação. Parte dos viciados busca cura da dependência. "Para me libertar do meu vício de droga, é só no caminho de Jesus, e aqui eu tô conhecendo Jesus", disse Fernando, de 27 anos, vindo de Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Comerciantes e trabalhadores da região disseram que, com o início do projeto Braços Abertos, há maior circulação de usuários de crack. À noite, a situação fica mais crítica, até mesmo com crianças nas ruas. A Prefeitura diz desconhecer a situação.

Não existem números oficiais de migrantes na Cracolândia. A secretária de Assistência Social, Luciana Temer, diz que não se pode afirmar que a ação da Prefeitura atraia usuários de drogas à região. "Se você andar por São Paulo inteira, você vai encontrar exatamente esta característica: gente do Maranhão, da Paraíba, do Rio Grande do Sul. E eu, como o prefeito (Fernando Haddad), não acredito que a migração aconteça por causa do programa", afirmou.

Haddad, no entanto, disse que há indícios de migração. Durante balanço da operação Braços Abertos, na sexta-feira, ele disse estar confiante de que o governo federal possa ajudar outras cidades.

"Municípios poderão eventualmente acionar recursos federais para estabelecer programas nesses moldes. Isso, para nós, da Região Metropolitana, é fundamental, porque vai impedir que as pessoas venham para cá, (vai permitir) que as pessoas possam ter programas similares nas suas localidades", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.