Moradores de Osasco moram em cima de córrego

Cheiro de esgoto e ratos são frequentes na Favela do Limite, no bairro de Santa Maria

Laura Maia , O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2013 | 14h55

Localizada embaixo do Rodoanel, no bairro de Santa Maria, em Osasco, a Favela do Limite reúne alguns moradores em condições subumanas. Quando chove, casas de madeira construídas em cima de um córrego cheio de lixo e esgoto, não apenas enchem de água, mas também correm o risco de desabar.

A visita de ratos é constante segundo a diarista Odete Souza, de 52 anos, que mora em uma casa toda de madeira na comunidade."Queria fazer uma casa de bloco, mas até que eu sou feliz aqui." Ganhando menos de um salário mínimo, Odete utiliza pedras como rodapé para evitar a entrada de roedores."Graças a deus, apesar dos ratos, a minha casa não enche de água".

Do lado de Odete, mora Lurdes da Conceição, de 53 anos, que não pode dizer a mesma coisa. A maior parte da casa, também de madeira, está sobre o córrego e frequentemente enche tudo."Quero muito ser removida. Quando chove, temos que sair daqui correndo. É horrível", diz Lurdes apontado para as marcas de mofo na madeira da cozinha.

Por causa da chuva, as ruas de bairro estavam completamente cheias de lama na quarta-feira, 6, e o cheiro de esgoto era notado em diversos pontos da comunidade, mesmo assim, algumas crianças pareciam não ligar e brincavam na rua.

O vigilante Manoel Pereira da Silva, de 56 anos, mora há dois anos no local. Da janela do quarto, a vista é o esgoto. "Nós não temos onde morar sem ser aqui. Quando enche, é uma calamidade. Já perdi muita coisa". A mulher dele, dona Josefa Lacerda (na foto acima), chora ao explicar o que passa todos os dias. "Maldita hora que meu marido comprou esse barraco. Como morar num lugar desses cheio de lixo e esgoto? Eu quero sair daqui",diz Josefa, que compra pouca comida de cada vez para não correr o risco de perdê-la com a chuva.

Na casa da dona de casa Marlene Silva, de 33 anos, uma parte do banheiro afundou no córrego e corre o risco de desabar. Ela vive com o marido e três filhos há menos de um ano e não parou de utilizar o banheiro mesmo com o risco de que ele caia. "Não tem outro jeito",diz.

Questionada sobre a região, a Prefeitura de Osasco, por meio de nota, afirmou que "até a presente data não existe projeto habitacional para área e não há previsão de quando os moradores devem ser retirados do local".

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