Movimento Pedágio Não
Movimento Pedágio Não

Moradores de Mogi fazem novo protesto contra pedágio em rodovia

No sábado, terceiro ato reuniu mais de 500 pessoas. Eles reclamam que cerca de 30 mil pessoas de bairros cortados pela rodovia terão de passar a pagar tarifa para se deslocar até o centro da cidade. Artesp analisa demanda

José Maria Tomazela  , O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 20h21

SOROCABA – Cresce a mobilização de moradores da região de Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, contra o projeto de um pedágio na Rodovia Mogi-Bertioga (SP-88). A estrada liga a região metropolitana de São Paulo ao litoral norte do Estado. A construção da praça de cobrança faz parte do programa de concessão do lote Rodovias do Litoral, do governo estadual, que abrange 240 km de rodovias, entre Arujá, outra cidade da região, e Miracatu, no Vale do Ribeira. A concessão prevê a instalação de quatro pedágios– um deles em Mogi das Cruzes.

O movimento Pedágio Não alega que, se a praça ficar no local previsto, o km 45 da Mogi-Bertioga, cerca de 30 mil moradores de bairros e condomínios cortados pela rodovia terão de pagar tarifa para se deslocar até o centro da cidade. “Quem trabalha ou estuda vai pagar ida e volta, com despesa extra de até R$ 500 por mês”, afirma o professor Paulo Bocuzzi, um dos organizadores do movimento.

No último sábado, 15, ao menos 500 pessoas realizaram uma carreata e se posicionaram à margem da rodovia, protestando contra o pedágio. Foi a maior das três manifestações já realizadas contra o projeto.

Conforme Bocuzzi, outros protestos estão sendo organizados, ainda sem datas definidas. “Ao longo desta semana, estaremos recolhendo os abaixo-assinados físicos, que já superaram a meta de 10 mil assinaturas. Temos ainda 33 mil assinaturas em petições virtuais contra o pedágio”, disse.

Um dos argumentos, segundo ele, é a disparidade entre os investimentos na região de Mogi e no litoral. “Enquanto no litoral serão duplicados 65 km de rodovias e construídos 106 km de vias marginais para que os moradores locais não paguem pedágio, em nossa região, o trecho duplicado será de alguns quilômetros, a maior parte já custeada pelo governo, e não haverá via marginal. Mogi vai bancar os investimentos em outras regiões”, disse.

Conforme Bocuzzi, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) já realizou audiências públicas, mas estaria protelando a definição sobre o local do pedágio. “Estamos preparados para continuar esse movimento até que o governo acate os argumentos da população e cancele essa praça. Não queremos nem em Mogi, nem em outra cidade da região.”

A Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Mogi das Cruzes (Aeamc), a Associação Comercial de Mogi (ACMC) e o prefeito da cidade, Marcus Melo (PSDB), também se posicionaram contra o pedágio. O grupo de ciclistas BiciMogi engrossou o protesto.

De acordo com o projeto, ao todo serão 89,8 km de duplicação e 108,5 de vias marginais no litoral. Na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), a concessão inclui o trecho entre Praia Grande e Miracatu, passando por Peruíbe, onde haverá duplicação.

Na Cônego Domenico Rangoni (SP-55), serão duplicados 36,6 km e construído 1,8 km de via marginal em Bertioga, além de 35,6 km de ciclovias. No trecho de Arujá a Bertioga, da rodovia Mogi-Bertioga, serão construídas oito pontes, inclusive a nova ponte do Rio Guaicá. Está prevista a duplicação da Estrada do Evangelho.

Artesp diz que vai propor nova localização para a praça de pedágio

A Artesp informou que está ciente das demandas e preocupações da região de Mogi e proporá uma nova localização para a praça, com tratamento tarifário diferenciado. “Os estudos técnicos para a elaboração do edital do lote Rodovias do Litoral estão em curso. Foram recebidas mais de 400 contribuições da sociedade civil nas audiências e consulta pública que estão sendo avaliadas pelos técnicos”, acrescentou. Ainda segundo a agência, os estudos serão finalizados de maneira a garantir a realização das obras previstas no programa.

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