JF DIORIO/ ESTADÃO
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Moradores de Franco da Rocha temem novas fugas de presos

Região onde cadeia foi queimada concentra seis unidades prisionais; agentes foram afastados após agressão a detento

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2016 | 04h00

São três quilômetros de estrada cujas margens abrigam seis unidades prisionais, com mais de 7 mil detentos, quantidade que extrapola em 50% a capacidade de aprisionamento. Quem vive próximo da Rodovia Prefeito Luiz Salomão Chamma, que corta Franco da Rocha, cidade de 147 mil habitantes na região metropolitana de São Paulo, passou a conviver com o medo dos vizinhos, após fuga em massa na segunda-feira, 17.

Os 55 presos escaparam de um dos hospitais de custódia que existem na região; até a noite desta terça, 51 haviam sido recapturados. Parte dos mais de 400 que permaneceram inicialmente na unidade e os que foram encontrados acabaram transferidos para a Penitenciária 3 da cidade, que já tinha 671 detentos a mais que a capacidade.

A estudante Letícia Fernandes de Farias, de 18 anos, preferiu não dormir em casa, que fica na frente do hospital de custódia. “Fui com minha mãe e meus irmãos para a casa da minha tia. Ficar aqui era colocar a vida em risco”, disse nesta terça.



O policial aposentado Jaime Pereira Bento, de 65 anos, acredita que a área representa um “barril de pólvora”. “A gente já sabe que tem de trancar a porta e redobrar a atenção em momentos como esse”, disse. Para ele, os quatro foragidos “estão esperando a poeira baixar para vazar (fugir)”. 

Comerciante na rodovia, Eduardo Lemes Júnior, de 36 anos, demonstrou preocupação. “Não são ladrões de galinhas aqui ao lado, são psicopatas. As notícias são preocupantes”, afirmou.

Outros veem menos problemas. “Nunca aconteceu nada aqui. Se houver rebelião, a polícia vai em cima. Ninguém sai”, disse Francisco Vanderlei, de 58 anos, gerente em uma empresa de processamento de borracha ao lado da Penitenciária 3.

A Secretaria da Segurança Pública disse que mantém patrulhamento reforçado na área. A Secretaria da Administração Penitenciária determinou a instauração de sindicância para apurar a fuga, mas não comentou o temor sobre novos casos. 

Afastados. Dois seguranças terceirizados do Parque Estadual do Juquery, flagrados agredindo um detento já dominado, foram afastados para apuração pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. 

A rebelião e a fuga foram classificadas como uma “questão pontual” pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). “Não há certamente nenhuma relação com o que aconteceu nos presídios do Norte e Nordeste. 

Foi uma questão pontual, local, que está sendo investigada, mas tudo indica que presos tomaram conhecimento que cinco líderes seriam transferidos e aí causaram a rebelião”, disse nesta terça-feira.

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