Moradores de 27 bairros reclamam de migração de usuários

Em 12 dias, Polícia Militar recebeu 1.038 ligações sobre presença de dependentes químicos em áreas residenciais

O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h02

A Operação Centro Legal - ocupação da PM na cracolândia - espalhou usuários de drogas por pelo menos 27 bairros de São Paulo. Entre os dias 10 e 22, a Polícia Militar recebeu, pelo 190, 1.038 ligações de moradores da cidade reclamando de dependentes químicos na porta de casa.

Alguns lugares já eram ocupados por usuários de drogas e agora estão com movimento mais intenso. Em outros pontos, os moradores dizem que nunca haviam visto consumo de crack na porta de casa. "O poder público optou por espalhar as pessoas sem resolver o problema", critica o juiz Luís Fernando de Barros Vidal, ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

A ocupação policial da cracolândia começou no dia 3. No dia 10, a PM anunciou que a Tropa de Choque e até helicópteros passariam a "blindar" bairros contra a migração dos viciados em crack. Foram acrescentados ao efetivo 150 homens, além dos 300 que já estavam na região. A ideia é dispersar os grupos que se concentram para usar drogas.

O capitão Sérgio Agassi, porta-voz do serviço 190, explica que, após detectar as chamadas frequentes, a corporação imediatamente reforçou o Centro de Operações com cinco pontos de atendimento, fazendo saltar, em média, de 40 para 45 atendentes de telefone por turno. "Durante a ligação há uma série de questionamentos para saber realmente se o que as pessoas estão vendo tem relação com migração (de usuários)." Na conversa é questionado, por exemplo, se a pessoa está com cachimbo.

Distância. Entre os cerca de 86 telefonemas diários de "novas cracolândias", a PM tem recebido ligações de bairros distantes do centro, como Campo Belo e Vila Mariana, na zona sul, Butantã e Vila Leopoldina, na zona oeste, Freguesia do Ó e Tremembé, na zona norte, e Itaquera e Vila Formosa, na zona leste.

Na Santa Cecília, na centro, moradores da Rua Apa notaram que a concentração de usuários de crack cresceu neste ano, principalmente no cruzamento com a Rua General Júlio Marcondes Salgado. "Tinha uns três ou quatro. Mas agora ficam mais de 30 aqui à noite. Eles brigam, fazem bagunça. Evito sair até na janela", diz a manicure Cleusimar de Oliveira Santos, de 28 anos. / CAMILLA HADDAD e TIAGO DANTAS

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