ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Moradores da Grande SP reclamam de 'pedágio' nos terminais de ônibus

Alckmin instituiu cobrança R$ 1 nos terminais Diadema, Piraporinha, São Mateus, da EMTU, e de R$ 1,12 nos terminais Capão Redondo e Campo Limpo, do Metrô

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 19h46

Horas após ter sido anunciada a cobrança de R$ 1 para mudar de plataforma em terminais da região metropolitana de São Paulo, a vendedora Cimara Leite, de 35 anos, já tinha feito as contas de cabeça: só com o "pedágio", por mês, cada usuário pode gastar na ida e na volta cerca de R$ 60. "Por dia, vamos gastar quase o valor de uma caixa de leite que poderia comprar para o meu filho", diz ela, que mora em Diadema. Passageiros da região metropolitana, como a Cimara, consideram "absurda" a taxa em tempos de crise econômica e desemprego.

Também indignado com o valor do "pedágio" , o prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), protestou nesta quinta-feira, 5, na entrada do terminal da cidade, bloqueando a passagem de ônibus por quase cinco horas com o carro oficial da Prefeitura. Michels afirma que não foi informado sobre a cobrança e se manifestou para chamar atenção dos passageiros. O prefeito se reunirá nesta sexta, 6, com o governo estadual para tratar do assunto, com a participação de representantes da sociedade civil.

Em nota, a prefeitura de Diadema afirmou que "por volta das 11h desta quinta-feira (05/01), foi realizado ato contra a decisão de cobrança de R$1, por parte da EMTU, para quem utilizar os terminais de Diadema e Piraporinha em linhas intermunicipais. O prefeito Lauro Michels participou da manifestação junto com os moradores da cidade".

O auxiliar de produção Carlos Alexandre de Oliveira, de 33 anos, mora em Diadema e trabalha na capital paulista. Por dia, ele estima gastar R$ 12 em deslocamentos no transporte público e agora, com a nova taxa e o aumento da passagem, teme desestabilizar o orçamento familiar. "É errado fazerem isso agora, nas condições de crise em que o País vive. O salário não condiz. Vai pesar no bolso", queixa-se. Oliveira critica ainda a qualidade do transporte, que não acompanha os reajustes tarifários. "O ônibus demora muito e está sempre lotado", diz.

Já Maria Magalhães, de 31 anos, trabalha como atendente em Diadema, mas mora em São Paulo. "Por enquanto, meu filho ainda não tem idade para pagar passagem e espero também que não precise pagar essa taxa. Agora, imagina uma família com vários filhos com idade para pagar tarifa? Você acha que não, mas só o aumento de R$ 0,30 talvez não faça tanta falta em um dia só. Mas coloca na ponta do lápis no final do mês", queixa-se ela.

Outra moradora de Diadema, a tapioqueira Beatriz Ferreira, de 55 anos, trabalha na saída do terminal de Diadema e costuma fazer compras de produtos na capital paulista para revender na sua cidade de morada. Ali, no carrinho de tapiocas, Beatriz já sente os efeitos da crise e do desemprego, por isso questiona a implementação da nova taxa. 

"Temos milhares de desempregados hoje. Gente que não tem dinheiro nem para comprar bala ou água. Em quatro anos neste ponto, nunca tive um ano tão ruim de vendas quanto o ano passado. É um absurdo criarem essa cobrança agora", afirma Beatriz.

Desempregado, o operador de máquina injetora José da Mata Gonçalves, de 39 anos, ficou surpreso com a mudança. Segundo ele, já está pesado financeiramente desde fevereiro do ano passado, quando perdeu o emprego e deixou de ter renda fixa. "Está difícil. E agora, vamos ter que aguentar essa exploração. O jeito vai ser andar mais a pé e economizar o pouco que se tem", diz.

EMTU. O presidente da EMTU, Joaquim Lopes da Silva Júnior, afirmou nesta quinta-feira, 5, que a tarifa para acessar os terminais é para "equilibrar os contratos" com a concessionária. Ele concedeu entrevista no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, onde ocorria um evento sobre Saúde Pública. Presente no local, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não respondeu sobre o assunto.

"Em 2012, nós transferimos para o concessionário algumas obrigações adicionais, por exemplo, a manutenção da rede área dos 33 quilômetros de corredor", disse. "É uma despesa anual de R$ 17 milhões, agora estamos reequilibrando."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.