Moradores da Favela do Moinho fazem mutirão para reerguer barracos

Parte dos desabrigados rejeita o bolsa-aluguel de R$ 450 mensais oferecido pela Prefeitura

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 14h24

SÃO PAULO - Moradores da Favela do Moinho, na zona oeste de São Paulo, realizam desde cedo um mutirão para reerguer novos barracos na área que pegou fogo nesta segunda-feira 17, abaixo do Viaduto Orlando Murgel. Dezenas de homens e mulheres retiravam os restos de metais e placas de alumínio que sobraram nos escombros após o incêndio que destruiu cerca de 80 barracos e deixou um morto.

"O jeito é vender todo o metal e comprar madeira para fazer os novos barracos", afirma Gleison de Souza, de 36 anos, que pela manhã ajudava a retirar a sucata que restou no local incendiado, de onde ainda sai fumaça de alguns pontos. Dezenas de moradores de barracos que pegaram fogo esperam ao lado de fora a reconstrução das moradias na favela. Eles rejeitam o bolsa-aluguel de R$ 450 mensais oferecido para os cerca de 300 desabrigados pela Prefeitura.

O lixo retirado pelos moradores da área que pegou fogo está sendo jogado ao lado dos trilhos da CPTM. "Antes da noite já vamos começar a erguer a casa do pessoal. O povo não merece sofrer, não dá pra alugar nem um quarto aqui no centro com essa ajuda da Prefeitura", critica Nair Bispo de Oliveira, de 46 anos, que mora na favela e ajudava no mutirão.

A CET vai manter o Viaduto Orlando Murgel interditado no sentido centro-bairro por tempo indeterminado, para reforma. A via é uma das principais ligações entre a zona norte e o centro da capital. O viaduto está visivelmente danificado após o incêndio, com pedaços de blocos de concreto despedaçando das vigas de sustentação.

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