Moradores criam redes

Para se defender em casos de desapropriações, eles estudam o assunto e trocam experiências

Luísa Alcalde e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Associações de moradores de São Paulo agem cada vez mais em rede para barrar projetos da Prefeitura que vão desapropriar casas e comércios e modificar seus bairros. E até fazem curso para falar com a imprensa.

São donas de casa, aposentados e moradores em geral que, até receberem a notícia de que estão na iminência de perder seus imóveis, não sabiam o que era Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima), nunca se debruçaram sobre plantas de obras públicas e jamais haviam pisado em uma audiência pública.

É o caso da auxiliar administrativa Priscila Soares, de 28 anos, moradora da Vila Fachini, na região do Jabaquara, cuja residência deverá ser desapropriada para dar lugar à saída do túnel entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes. "Não tinha a mínima ideia de como é o processo de aprovação de uma obra e nunca havia pisado na Câmara Municipal", conta Priscila, que tem ensino médio completo. "Tive de aprender na marra para entender o que aconteceria com minha família e meus amigos."

No último sábado, ela fez até um curso de Media Training para aprender a falar com a imprensa quando procurada para comentar intervenções da Prefeitura. "Aprendi que a gente não deve querer falar tudo de uma vez e a não achar ruim quando o jornalista não publicar tudo o que a gente diz." Priscila acredita que os ensinamentos também vão servir para ela se expressar nas audiências públicas.

Esse aprendizado, adquirido de um ano para cá, hoje está sendo repassado a moradores do Jardim dos Pinheiros, em Pirituba, na zona norte. Eles descobriram há apenas um mês que a área de casas residenciais onde moram, avaliadas em cerca de R$ 600 mil, virá abaixo para dar lugar a uma alça de acesso. Ali será construída a quinta pista da Rodovia dos Bandeirantes para o futuro megacentro de convenções que a Prefeitura pretende criar no local.

"Vai na Secretaria do Verde ver se tem o EIA-Rima e procura pelo projeto básico da obra", ensinou Priscila à corretora aposentada Sueli Garcia, presidente da recém-criada Associação dos Moradores do Jardim dos Pinheiros.

As duas se encontraram na terça-feira em uma reunião entre vários representantes de associações de bairros e ONGs para trocar experiências sobre os projetos de intervenções urbanísticas atualmente em curso na capital.

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