Moradores constroem barricada

Ideia é tentar impedir a entrada da Guarda Civil. Muitos na comunidade dizem que agentes jogaram bombas anteontem; Prefeitura nega

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h02

Moradores da Favela do Moinho, na região central, montaram ontem uma barricada com sofás e tapumes sob o Viaduto Orlando Murgel para impedir a entrada da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com quem entraram em confronto na noite de anteontem. Eles alegam uso de balas de borracha, bombas de gás e spray pimenta pela GCM - a corporação nega. Nove pessoas ficaram feridas, seis moradores e três guardas-civis.

O secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, foi até o local na tarde de ontem e disse que vai apurar o caso. Na comunidade, não há dúvida de que a GCM lançou mão dos equipamentos, por volta das 19h, quando lideranças procuravam saber o que tinha acontecido com um rapaz de 15 anos agredido (leia abaixo).

O autônomo Iran Ferreira Pires, de 46 anos, exibia duas marcas no joelho direito que teriam sido causadas por arma de fogo. Segundo ele, dos GCMs. Ele foi liberado ontem do hospital.

O líder comunitário Milton Sales também afirmou que foram jogadas bombas. "As mães saíram em defesas de seus filhos e, à medida em que corriam, começaram a jogar bombas", disse.

O padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, esteve no local e pediu ao secretário de Segurança redução do efetivo da GCM para aliviar a tensão. "As marcas e os ferimentos estão aí", disse. "Será que não foram os anjos que vieram até aqui atirar", ironizou. A Polícia Militar chegou após o confronto e não teve participação no caso.

Na tarde de ontem, a favela era cercada por 17 viaturas da GCM.

'Pouco provável'. Ortega disse que a GCM não usa bala de borracha nem bombas de gás. "É importante ouvir todos para verificar o que aconteceu. Será que tinha alguém infiltrado? Vamos apurar as hipóteses."

O secretário disse que disparo de arma de fogo é "algo grave" e não acredita que tenha partido dos guardas-civis. "Acho pouco provável. O delegado afirmou que o ferimento (de Pires) não trazia evidência de arma de fogo. E o médico ouvido pela Corregedoria (da GCM) também disse que não é característico de arma de fogo." Disse ainda que todas as viaturas foram inspecionadas e não foi achado "nenhum vestígio" que comprove a versão dos moradores.

Pouco antes de Ortega, a vice-prefeita, Alda Marco Antonio, esteve na favela e prometeu a manutenção do apoio da Assistência Social, com mantimentos e itens de higiene.

O delegado titular do 77.º Distrito Policial (Santa Cecília), Marcos Casseb, disse que já intimou pessoas para esclarecer o caso. Sobre os tiros, foi precavido. "Quem vai falar se foi ou não ferimento a bala é o legista." Segundo Ortega, não haverá ação violenta da GCM no local.

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