Moradores barram condomínio em área verde do Morumbi

Pedido de incorporadora para fazer prédios em zona de preservação ao lado do Colégio Pio XII foi negado em definitivo pela Prefeitura

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h04

Acionada por um grupo de moradores reunidos na Associação Amigos do Jardim Morumbi, a Prefeitura de São Paulo vetou a construção de megaempreendimento imobiliário em uma das últimas áreas de preservação do bairro da zona sul. Por meio de uma permuta com a Congregação das Irmãs Franciscanas, dona das terras ao lado do Colégio Pio XII, a Cyrela queria alvará para construir 111.587 metros quadrados - espaço suficiente para erguer pelo menos oito torres residenciais e 1.200 vagas de garagem, segundo especialistas do mercado imobiliário.

O pedido da incorporadora foi indeferido em definitivo pela Prefeitura no dia 12 de janeiro. Caso o empreendimento fosse aprovado, as Irmãs Franciscanas seriam parceiras da Cyrela em um futuro projeto imobiliário. O terreno onde havia o pedido para "edificação nova" em trâmite no governo municipal desde 2008 soma, ao todo, 127 mil metros quadrados, é coberto por mata nativa e fica entre o Colégio Pio XII e a Marginal do Rio Pinheiros.

A possibilidade de novos prédios em uma região protegida por leis municipais e estaduais de preservação mobilizou moradores do Morumbi. "Acabaram com a mata ao redor do Panamby e queriam agora acabar também com a floresta que restou entre o Pio XII e o Rio Pinheiros", afirma Sérgio Gottahilf, de 58 anos, presidente da Associação Amigos do Jardim Morumbi.

Os moradores reunidos na entidade levaram à Secretaria Municipal de Habitação mapas, cópias de leis e fotos que mostram a presença de 59 espécies de árvores e de plantas originárias da Mata Atlântica no terreno que pertence às Irmãs Franciscanas. Eles também argumentaram que o trânsito da Rua Colégio Pio XII, uma das poucas vias que dão acesso à Avenida Morumbi, seria "estrangulado" com um novo condomínio de até oito torres.

Gottahilf e advogados que fazem parte da Amigos do Jardim Morumbi também acionaram a Promotoria de Meio Ambiente e apontaram a existência de três cursos d'água no terreno cobiçado pela Cyrela. O caso estava sob análise do promotor Ismael Lutti. O presidente da associação, porém, não acredita que o mercado imobiliário vai desistir de tentar erguer um condomínio na área da mata.

"Ninguém está preocupado com ecologia ou em preservar o que sobrou de área verde aqui no Morumbi. O mercado quer é construir mais prédios. Não acho que a luta para preservar essa mata tenha acabado agora", diz.

Fora dos quesitos. Procurada pela reportagem, a Cyrela admitiu que seu projeto "não atendeu aos quesitos básicos necessários para a incorporação". Já a Congregação das Irmãs Franciscanas não quis comentar a parceria com a incorporadora ou se ainda tem interesse em vender a área. A direção do Colégio Pio XII informou, por meio de sua equipe de marketing, que o terreno cedido à Cyrela não atrapalharia o funcionamento do colégio, caso fosse construído um condomínio no local.

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