Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Moradores ainda escavam chumbo em área contaminada de Sorocaba

Laudo encomendado pela Cetesb constatou a contaminação do solo por chumbo, cádmio e arsênio

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 13h40

SOROCABA - Uma semana após a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) ter interditado uma área contaminada por metais pesados, em Sorocaba, interior de São Paulo, sucateiros continuavam invadindo o local, nesta segunda-feira, 27, para extrair restos de chumbo. O terreno, transformado em garimpo, fica na zona industrial, a 12 km do centro, e pertence à fábrica de baterias Satúrnia, que faliu em 2015. Depois que a produção foi desativada, em 2011, toneladas de baterias velhas e lixo industrial foram enterradas no local.

Um laudo encomendado pela Cetesb constatou a contaminação do solo por chumbo, cádmio e arsênio, substâncias prejudiciais à saúde. No último dia 20, a Cetesb determinou o "imediato cercamento do terreno e instalação de vigilância a fim de impedir o acesso da população e a exposição dessas pessoas ao risco". Até esta segunda-feira, os acessos à área, com cerca de dez hectares, continuava aberta. A Polícia Militar e a Guarda Municipal de Sorocaba realizam rondas na região, mas a ação não impede que os moradores continuem entrando no terreno.

Com picaretas e pás, eles escavam o solo para a retirada de placas de chumbo e escória - metal derretido. A sucata é vendida a ferros-velhos da cidade. Entre os sucateiros, estão mulheres e adolescentes, além de desempregados e idosos. No terreno contaminado, moradores do Jardim Iporanga, bairro vizinho, improvisaram um parque de diversões para crianças. Há também uma horta em que algumas famílias cultivam legumes.

A prefeitura informou que a responsabilidade pelo local é da Cetesb, devido à presença de contaminantes, e que já se reuniu com representantes da Satúrnia para que esta garanta o isolamento da área. O advogado da massa falida, Sadi Montenegro, disse que será providenciada a instalação de placas no local, alertando para o risco. Para a Cetesb, apenas essa medida não basta, pois parte das pessoas que estão entrando na área não sabe ler. A companhia multou a empresa em R$ 257 mil, mas a massa falida entrou com recurso. 

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