Moradora flagra crimes e consegue base da PM

Por causa de um feito que conseguiu para o bairro, Roberta (nome fictício), moradora de um dos prédios próximos à Praça 14 Bis, sofreu retaliações e prefere não mostrar o rosto nem dizer o nome. Mas há dois anos, em junho de 2009, ela ajudou a trazer mais segurança à Bela Vista: depois de seus pedidos, a Polícia Militar instalou uma base móvel na praça, que continua lá até hoje.

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Roberta andava espantada com o aumento da violência no bairro, especialmente na praça. "As pessoas não podiam mais circular na hora em que quisessem, nem pegar ônibus na rua, que eram abordadas pelos bandidos. Tomei uma atitude. Fiz o que tinha de fazer", diz.

Durante meses, a moradora contratou os serviços de um amigo, fotógrafo profissional, para filmar e fotografar a degradação da praça. Flagrou assaltos, tráfico de drogas e "noias" usando crack em plena luz do dia. Mesmo fazendo os registros escondido em sacadas de prédios, bares e restaurantes, o amigo foi visto e sofreu agressões.

"Aqui também é uma cracolâdia", denuncia Roberta.

Depois de mais de 20 registros, entre filmes e fotografias, ela compilou todo o material e levou para a Prefeitura e para a Polícia Militar. Conseguiu também 900 assinaturas de vizinhos, que fizeram um abaixo-assinado pedindo mais segurança no bairro. Em 15 dias, a base móvel foi instalada e, segundo ela, ajudou a repelir o crime, mas não totalmente. "Infelizmente agora eles (os bandidos) estão voltando aos poucos".

A moradora hoje sofre ameaças de pessoas que, segundo ela, atuam no comércio ilegal de drogas no bairro.

"Já me abordaram e tentaram me subornar", conta. "Queriam me dar R$ 100 para eu parar de chamar a polícia."

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