Morador de rua internado corre risco de morte

A morte do morador de rua José Edson Freitas, de 26 anos, queimado, fez ressurgir o temor da violência motivada por preconceito no Distrito Federal, onde, em 1997, um grupo de jovens de classe média alta ateou fogo no índio pataxó Galdino José dos Santos em um ponto de ônibus. O médico Paulo Feitosa, diretor do Hospital Regional da Asa Norte, instituição que atendeu Freitas, diz que o número de atendimento a pessoas queimadas nas noites é "alarmante". Ele, porém, não faz estimativas.

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 03h04

Feitosa, no entanto, observa que a vida noturna da capital passou por mudanças significativas nos últimos 15 anos e o problema do crack e outras drogas ilícitas se juntou ao preconceito. "A violência é o acerto do não pagamento (de drogas)", observa.

Na noite de sábado para domingo, Freitas e um colega, Paulo César Maia, de 42 anos, tiveram os corpos encharcados com um líquido inflamável por um grupo de três pessoas, aparentemente adolescentes, em uma via pública de Santa Maria, cidade a 26 quilômetros do Plano Piloto. Freitas teve 63% do corpo atingido pelo fogo e morreu.

Maia está internado e sofreu queimaduras no braço esquerdo, nas duas pernas, no rosto e no órgão genital. Ele ainda corre risco de morte.

Freitas e Maia moravam com parentes em Santa Maria. Ex-vizinhos disseram que os dois eram alcoólatras e, por isso, deixaram suas casas e passaram a viver nas ruas.

Investigadores da 33.ª Delegacia de Polícia, em Santa Maria, ainda não tinham divulgado os nomes dos agressores. Os agentes disseram que o ato, aparentemente, era mesmo de "vandalismo bárbaro", provocado por jovens que não teriam nenhuma relação com as vítimas.

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