Reprodução/Google Street View
Reprodução/Google Street View

Morador de rua gay desaparece após ser agredido em festa universitária

Pedro Henrique de Oliveira, de 27 anos, teria sido atacado por cerca de 15 jovens durante baile funk organizado por estudantes da Universidade Anhembi Morumbi; testemunha relata ter ouvido gritos homofóbicos

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 12h36
Atualizado 16 Agosto 2017 | 18h37

SÃO PAULO - Um rapaz em situação de rua desapareceu na madrugada de terça-feira, 15, após ter sofrido agressões homofóbicas em um baile funk realizado por estudantes da Universidade Anhembi Morumbi, próximo ao campus Centro, na Mooca, zona leste de São Paulo. Morador do Viaduto Bresser, no mesmo bairro, Pedro Henrique de Oliveira, de 27 anos, levou socos e chutes de cerca de 15 rapazes, de acordo com outro morador de rua, que o acompanhava. A  festa foi realizada durante a programação de trotes para estudantes calouros da universidade. O incidente ocorreu nas imediações das ruas Ipanema e Doutor Almeida Lima. 

Segundo o padre Julio Lancelotti, da pastoral Povo da Rua e que acompanha o caso, Oliveira está internado na unidade semi-intensiva do Hospital de Clínicas de São Paulo, na zona oeste. A informação não foi, contudo, confirmada pela assessoria de imprensa da instituição.

O morador de rua estava acompanhado do amigo Marcos Ramos, de 23 anos, que também mora junto ao viaduto, conhecido como "Comunidade do Cimento". Segundo ele, ambos aproveitaram a festa até cerca de duas horas da madrugada, quando Oliveira tentou apartar uma briga entre dois jovens, momento em que foi cercado por cerca de 15 rapazes aos gritos de "Veado tá tirando, veado tá tirando, vamos pegar ele". Ramos diz ter tentado ajudar o amigo, mas, como estavam em menor número, teve que fugir. Ele alega ter visto o vizinho "muito ferido" próximo à Praça Kennedy, a duas quadras da festa, até onde foi sido perseguido por um carro, com cinco ocupantes - de acordo com informações do boletim de ocorrência.

"Entrei na briga para tentar defender ele, saí no soco com os caras também, só que não deu para mim. Eu pensei: 'se eu ficar aqui, aí eu vou morrer'. Daí eu corri e gritei para ele 'corre, corre!", relata. 

De acordo com o padre Julio Lancelotti, Oliveira morava no viaduto há cerca de um ano e é natural de Ibitinga, no interior de São Paulo. O sacerdote e Ramos registraram um boletim de ocorrência de desaparecimento, ameaça, lesão corporal e associação criminosa, registrado na manhã desta quarta-feira, 16, no 8º Distrito Policial (Brás/Belém). "É claramente um caso de homofobia", disse o padre, que está em contato com a família do morador de rua.

Em nota, a Universidade Anhembi Morumbi afirmou não ter "relação com os fatos" e se colocou à disposição das autoridades para "auxiliar no que for possível". "Trata-se de uma festa que não foi promovida pela Instituição, tampouco nas instalações da Universidade", informou.

"Lamentamos profundamente o ocorrido e repudiamos qualquer ato que possa comprometer a integridade física e psicológica de nossos estudantes e colaboradores, ou que venham causar transtorno à população. Dessa forma, reiteramos que qualquer ação festiva que não tenha objetivo acadêmico é proibida nas dependências dos nossos campus", afirmou a instituição.

 

 

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