Morador de rua é encontrado morto no Belém, em São Paulo

Doria lamentou a morte e prometeu sete Centros Temporários de Acolhimento até o fim do ano

Hyndara Freitas e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2017 | 10h44

Na manhã deste sábado, 10, um morador de rua, identificado apenas como Sidnei, foi encontrado morto na rua Fernandes Vieira. De acordo com o Padre Julio Lancellotti, que atua na luta pelos direitos dos moradores de rua, ele morreu de frio. A causa da morte, porém, ainda não foi confirmada pelo Instituto Médico Legal.

“Ele morreu de frio no Belém, onde há muitos moradores de rua, mas não há nenhum abrigo. Eu o encontrei por volta das 6h30 da manhã, mas não sei a hora que ele faleceu”, disse o padre ao Estado. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências, essa foi a madrugada mais fria do ano em São Paulo, com média de 9,4 graus. Na Capela do Socorro, na zona sul, foi registrado 4 graus. 

A Polícia foi acionada, porém, até cerca de 9h30 o corpo permanecia no local à espera da perícia que vai identificar a causa da morte. Lancellotti ainda disse que reportou a morte do morador de rua ao prefeito João Doria. “Eu voltei a falar dos abrigos emergenciais na área do Belém. Há um abrigo no Brás, mas aqui não. No ano passado, havia um abrigo emergencial debaixo do viaduto Guadalajara, mas agora estamos sem”, relatou. Segundo o padre, Sidnei aparentava cerca de 50 anos e estava vivendo nas ruas da região há pouco tempo. 

Em agenda pública na manhã deste sábado, Doria comentou o caso com a imprensa. "Não se sabe ainda a causa da morte. Falei com o padre Julio, que tem sido um bom aliado, tem nos ajudado muito na orientação, no monitoramento. Estamos atentos, mas temos de investigar qual é a causa. Aparentemente não foi por frio. Mas de qualquer maneira, sempre a perda de uma pessoa, independentemente da causa da sua morte, é muito triste", disse. O Instituto Médico Legal vai apontar a causa da morte. 

 

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) lamentou o ocorrido. "É com profundo pesar que a SMADS comunica a morte de um cidadão em situação de rua, na madrugada deste sábado, no Belenzinho, na zona leste. De ontem para hoje, recebemos 101 chamados para acolhimento, que foram prontamente atendidos. Na madrugada de ontem para hoje não houve falta de vagas na rede de 84 centros de acolhida. A Secretaria convoca a população, especialmente em bairros fora da região central, como foi este caso, a ligar para o 156 imediatamente ao ver uma pessoa exposta ao frio para que os orientadores sociais possam fazer a abordagem e o encaminhamento. Através dos nossos sistemas de pessoas desaparecidas vamos tentar localizar a família de Sidnei", diz o comunicado. 

Centros de acolhimento. Ainda sobre a situação dos moradores de rua, Doria ressaltou que a prefeitura distribuiu "20 mil cobertores de qualidade", doados pela Luiza Trajano, do Magazine Luiza, e que está acelerando a entrega de Centros Temporários de Acolhimento (CTAs) - unidades especiais de acolhimento emergencial a moradores de rua. "Para que eles possam ter dormitório, cobertor, tenham colchão, cama, banho quente, alimentação, atendimento médico e a possibilidade de treinamento, primeiro emocional, e na sequência profissional, para serem encaminhadas ao trabalho", disse.

Segundo o prefeito, um CTA foi inaugurado na Mooca e outras duas devem ser inauguradas até o final do mês. O plano, disse, é de entregar um CTA por mês até o final deste ano, totalizando mais sete, e no ano que vem, mais 12. "Estamos fazendo um esforço muito grande para reduzir o número dessas pessoas, que, infelizmente ainda se encontram em situação de rua", disse. "Isso não vai resolver o problema, mas vai ajudar a minimizar o sofrimento dessas pessoas", completou. 

Doria afirmou que cerca de 25 mil pessoas estão nessa condição: "Lamentavelmente, [esse número] cresceu nos últimos dois meses, também por força da própria situação econômica, em que aumentou muito o número de desempregados e de pessoas desalojadas das suas casas que, sem renda, passaram a morar nas ruas da capital."

Cachorros. Questionado sobre se a questão dos cachorros de rua, o prefeito disse que a prefeitura vem fazendo um esforço com o departamento de zoonoses no centro da cidade, inclusive na Praça Princesa Isabel, onde se instalou a Cracolândia, para o acolhimento de cães e tratamento para adoções.



 

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