Mooca quer tornar-se bairro 'amigo do idoso'

Projeto de subprefeitura prevê intervenções de calçadas a mobiliário urbano; primeira conferência regional listou as principais dificuldades

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2011 | 00h00

Aposentado desde 1998, Tino das Neves, de 78 anos, gosta de viajar, mas passa a maior parte do tempo jogando conversa fora com outros idosos no Centro Educacional da Mooca, na zona leste. Costuma chegar cedo para fazer uma caminhada. "Depois, não há muito o que fazer", diz. O bairro onde nasceu e morou a vida inteira está envelhecendo e, mesmo assim, oferece poucas possibilidades de lazer para seus 14.528 moradores com mais de 60 anos.

Essa é uma das muitas reclamações de idosos que a Subprefeitura da Mooca terá de resolver se quiser pôr em prática o projeto Bairro Amigo do Idoso, anunciado semana passada. Com o projeto, a subprefeitura pretende atender às necessidades dos idosos que moram em Mooca, Tatuapé, Brás, Belém, Pari e Água Rasa. Juntos, esses bairros têm 61.352 moradores com mais de 60 anos, segundo o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - 17,84% do total da população desses distritos.

Na sexta-feira, na primeira Conferência Regional para a Implementação do Bairro Amigo do Idoso, 18 representantes da sociedade civil - todos idosos - listaram os problemas que precisam ser resolvidos para que a iniciativa vire prática.

Além de falta de áreas destinadas e equipadas para a prática de esportes e lazer, eles se queixam das calçadas esburacadas ou com degraus, da iluminação pública, da falta de segurança e ausência de profissionais capacitados para atender idosos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) desses bairros. "Não acho que estamos pedindo muito. Resolver esses problemas é o mínimo que pode ser feito para que o idoso tenha uma vida digna", afirma Shirley Aparecida Mazzei Nubie, de 75 anos.

Shirley é uma das coordenadoras do grupo de terceira idade da Biblioteca Affonso Taunay, que fica dentro do Centro Educacional da Mooca. O local é uma espécie de parque com piscina, quadras e onde funcionam uma UBS e a Subprefeitura da Mooca. "A subprefeitura está aqui dentro e não cuida. Se não tem sinalização de onde ficam os prédios, imagina se vão ter atividades para os idosos", diz Tino Neves, sentado em um dos bancos da parque.

Cuidados. Para a professora da universidade aberta à maturidade da Universidade São Judas, Maria Esmeralda Mineu Zamlutti, a qualidade de vida do idoso depende de fatores que vão da condição econômica a saúde e lazer. "O idoso tem de ser respeitado e compreendido. A expectativa de vida subiu e as pessoas com mais de 60 anos estão saudáveis e ativas. Outras necessitam de cuidados especiais, um direito garantido no Estatuto do Idoso", diz.

Segundo a Subprefeitura da Mooca, o projeto contará com intervenções em sete frentes: calçadas, mobiliário urbano, acessibilidade, cidade limpa e vitrine, bueiros, tapa-buraco, cortiços e defesa civil.

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