Mooca é o bairro com pior ar de SP

Região foi a única a receber classificação 'má' da Cetesb nos últimos 6 dias; tempo seco fez Defesa Civil decretar estado de alerta pela 2ª vez

Diego Zanchetta, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

 

Secura. Nível de ozônio na Mooca chegou a 203 no domingo, o que contribuiu para apiora da qualidade do ar; temperatura chegou ontem a 29,9ºC            

 

 

 

 

 

A Mooca, na zona leste, foi a região de São Paulo com a pior qualidade do ar nos últimos seis dias. Ela foi a única classificada como "má" pela Companhia de Saneamento Ambiental do Estado (Cetesb) na última semana - a marca foi atingida no domingo. No período, o ar se tornou pior nas dez áreas da cidade em que as medições são feitas. Os efeitos da poluição na saúde são agravados pela baixa umidade do ar, segundo especialistas.

O excesso de ozônio e a dificuldade de dispersão de partículas em um bairro com poucas árvores e localizado ao lado da Radial Leste, uma das vias mais movimentadas da cidade, são algumas das explicações para o que aconteceu na Mooca. O nível de ozônio na região chegou a 203, enquanto o recomendado é que não ultrapasse 101 - o que contribuiu para que a poluição no bairro fosse considerada a pior entre as 40 regiões do Estado com medição da Cetesb, incluindo a região industrial de Cubatão.

"A massa de ozônio se movimenta na atmosfera. Domingo houve um aumento na Mooca, mas isso também já ocorreu na área do Ibirapuera. É um fenômeno comum em regiões onde há uma grande liberação de gases dos veículos automotores", afirma Maria Helena Martins, gerente de qualidade do ar da Cetesb.

O ar ontem foi considerado inadequado em outras três regiões da cidade - Parque d. Pedro II, Freguesia do Ó e Ibirapuera. A Mooca saiu da classificação "má" e ficou "inadequada". No interior paulista, a qualidade estava abaixo do recomendado em São José dos Campos e em Paulínia, onde fica o polo petroquímico da Petrobrás.

Umidade. Um dos fatores que agravam a percepção dos poluentes é a baixa umidade do ar, que vem incomodando os pulmões dos paulistanos nos últimos tempos. Pela segunda vez em cinco dias, a Defesa Civil Municipal decretou estado de alerta por causa do ar seco. Ontem, a umidade chegou a 16% em Santana, um dos índices mais baixos do ano. A média na cidade foi de 20%. No início da noite, a umidade aumentou e o órgão passou o estado de alerta para o de atenção.

Especialistas relacionam a baixa umidade a uma massa de ar seco que atua no Estado há dois meses, mas que agora atingiu maior intensidade. "É normal o ar estar seco nesta época do ano, mas os índices estão mais baixos do que a média", diz a meteorologista Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De acordo com o instituto, o último registro de chuva moderada em São Paulo foi no dia 16 de junho. Ontem, foi registrada a temperatura mais alta do inverno: 29,9ºC.

Segundo Neide, não é possível saber quando a umidade vai aumentar. "Pelo menos até o fim da semana, não há previsão. Mas o período de chuvas deve começar no meio de setembro", diz. Enquanto isso, o paulistano tem de se cuidar. Segundo, a Secretaria Estadual de Saúde, o aumento da procura nos hospitais por causa do ar seco é, em média, de 60%. / COLABOROU PAULO SALDANA

Estações desligadas

Das 21 estações da Prefeitura que medem a umidade do ar, apenas dez funcionam. As outras estão em manutenção. O CGE afirma, entretanto, que isso não atrapalha as operações.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Ricardo Tardelli

PNEUMOLOGISTA

1.Quais são os efeitos da baixa umidade?

Nariz seco, olhos e garganta doloridos, além de atrapalhar o sono. A pessoa acorda com cansaço.

2. Que cuidados devem ser tomados?

Beber água para manter as mucosas hidratadas é essencial. Não praticar esportes nos horários mais quentes. E evitar o ar-condicionado.

3. Quem deve procurar um médico?

Quem tem doenças respiratórias, como alergias, rinite, asma, crianças com bronquite e idosos com enfisema, e sente o agravamento do quadro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.