'Monstro de Rio Claro' vai a júri pela morte de duas crianças

Homem de 56 anos é acusado de matar nove crianças no interior de São Paulo e está preso desde 2000

Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo,

16 de outubro de 2008 | 09h45

Aproximadamente 80 pessoas assistem no salão do Júri do Forum de Rio Claro nesta quinta-feira, 16, o inicio do julgamento do andarilho Laerte Patrocínio Orpinelli, 56 anos, acusado de matar os primos José Fernando de Oliveira, de 9 anos, e Osmarina Barbosa, de 10, mortos em 1990. Preso em 2000, Orpinelli ficou conhecido na época como o "monstro de Rio Claro". Acusado pela morte de seis criançasem Rio Claro e de outras três na região, ele cumpre pena em Serra Azul. Orpinelli foi condenado a 18 anos e 8 meses pela morte de Edison da Silva Carvalho de 11 anos, em Monte Alto; a 16 anos pela morte de Crislaine Barbosa, de 4 anos, em 1999, em Pirassununga; e a 27 anos e 4 meses pela morte de Jéssica Alves Martins, de 9 anos, em 1999, em Franca. O réu chegou ao fórum, que fica no centro de Rio Claro, às 9 horas desta quinta. Cabisbaixo, foi levado à presença de seu advogado, Carlos Benedito Pereira da Silva, que afirmou à imprensa que apresentará provas de que seu cliente foi coagido pela polícia a confessar os crimes. "As confissões foram moldadas conforme a polícia queria", afirmou. A defesa não apresentará testemunhas. Além dos casos que serão julgados nesta quinta, Orpinelli já foi impronunciado (isto é, não foi levado a júri popular) em dois processos e outros dois processos foram arquivados. O promotor José Maria Gomes apresentará uma testemunha. A mãe de José Fernando, Maria Lucia de Oliveira, de 50 anos, disse que aguarda pela justiça. "Esperei muito por esse dia", desabafou. Histórico A defesa de Orpinelli informou que o exame de sanidade mental do cliente não apontou retardo. "Ele só é uma pessoa sem cultura, pobre, que teve problemas de criação", disse o advogado. Uma dos sete irmãos de Orpinelli chegou a dizer, em depoimento, que o irmão tinha momentos de revolta quando criança e a mãe chegava a amarrá-lo quando estava mais agressivo. O advogado contou que, após a primeira internação do cliente, aos 15 anos, em uma clínica psiquiátrica em Araras, outras dez passagens foram registradas até os 41 anos. "A informação sempre foi a de que ele era internado por dependência de álcool", disse Silva. Orpinelli nasceu em Araras, mas passou por diversos cidades da região e conta ter trabalhado como engraxate. Entre documentos encontrados pela polícia, quando da prisão do andarilho, havia um caderno no qual ele costumava anotar o nome das cidades pelas quais passava - 26, no total. Um cruzamento de dados feito pela polícia apontava que nesses municípios havia o registro de desaparecimento de, pelo menos, 90 crianças.  Em 2000, quando foi preso, Orpinelli disse à imprensa que calculava ter matado 15 crianças e estava arrependido. Para um jornal local, no entanto, ele disse que era acusado de crimes que não havia cometido. "Estão querendo me fazer confessar crimes que não cometi", afirmou, à época. Orpinelli fez aniversário na sexta-feira passada, sem comemoração. "Está monossilábico, aborrecido", observou o advogado.

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