Monotrilho SP-ABC e corredores nas zonas norte e sul terão dinheiro do PAC

Programas paulistas devem receber repasse de R$ 967 milhões, menos que Fortaleza, Salvador, Curitiba e Porto Alegre

Rafael Moraes e Moura Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2012 | 22h14

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira, 24, os 34 projetos de mobilidade urbana contemplados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Grandes Cidades. Desses, três vão beneficiar a cidade de São Paulo - o monotrilho entre a capital e São Bernardo do Campo, no ABC, a revitalização dos corredor de ônibus na Avenida Inajar de Souza e a construção de outra via exclusiva de 12 km, entre Capão Redondo e Vila Sônia.

Outros três projetos contemplam o Estado - um em Campinas, outro em Guarulhos (programas de mobilidade) e um terceiro em São Bernardo(Ligação Leste-Oeste). "Reaprendemos a atuar em parceria de forma extremamente republicana, não olhando qual é a participação, a posição política, qual é a nossa visão de mundo, mas, enfim, nos relacionando como líderes", disse a presidente.

Outros dois projetos apresentados por São Paulo ficaram de fora do pacote - o do corredor de ônibus entre Itapevi, na Grande São Paulo, e Butantã, na zona oeste, e o do Expresso ABC - trem que ligará Mauá à Estação da Luz. Os projetos foram rejeitados em discussões técnicas em abril do ano passado. O Ministério das Cidades informou que eles foram recusados por questões de definição de prioridades, uma vez que os investimentos devem abranger outros Estados, além de São Paulo.

Pelo País. No Brasil todo, estão previstos investimentos de R$ 32 bilhões na construção de mais de 600 quilômetros de corredores de ônibus, 380 estações e terminais de coletivos, 200 quilômetros de linhas de metrô e na compra de mil veículos sobre trilhos em todo o País. Foram selecionadas propostas de Brasília, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Manaus, Goiânia, São Luís, Belém, Maceió, Campo Grande, João Pessoa, Teresina, Natal e Nova Iguaçu (RJ). O governo federal vai bancar R$ 22 bilhões - o restante virá de contrapartida de Estados e municípios e financiamento da Caixa.

O Ministério das Cidades estima que 51 municípios, onde vivem cerca de 53 milhões de pessoas, serão beneficiados. O programa já havia sido lançado em fevereiro do ano passado, quando previa investimento de R$ 18 bilhões, e passou a integrar o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 de Dilma. Cidades e Estados foram então convidados a inscrever seus projetos.

Ao contrário do que fez na gestão estadual anterior, quando não inscreveu projetos no PAC, São Paulo desta vez também solicitou verbas federais - e vai receber R$ 334 milhões para os corredores de ônibus e R$ 400 milhões para o monotrilho da Linha 18-Bronze, entre o ABC e a região central da capital. Esta verba também foi negociada pela prefeitura de São Bernardo, do ex-ministro Luiz Marinho (PT), mas o gerenciamento da obra continuará sob responsabilidade do Metrô - que pretende executá-la por meio de parceria público-privada (PPP).

Somados, todos os programas paulistanos devem receber R$ 967 milhões do governo federal - menos do que o previsto para instalação da linha leste do metrô de Fortaleza, do sistema integrado de transporte metropolitano de Salvador, da linha azul do metrô de Curitiba e do metrô de Porto Alegre, que vão ganhar, cada um, R$ 1 bilhão.

Dividendos. Caso se cumpram os prazos, as obras podem trazer dividendos políticos. Após a publicação da seleção de propostas no Diário Oficial da União - que deve ocorrer nesta quarta-feira, 25 -, Estados e municípios terão 18 meses para concluir os projetos executivos. Ou seja, poderá ocorrer grande liberação de recursos federais no último ano da gestão Dilma.

"No passado, diziam o seguinte: o Brasil era um país que não tinha condições de investir em metrô, porque metrô era muito caro, nós tínhamos de utilizar outros métodos de transportes. Hoje, não é. Governadores enfrentam imensas dificuldades para construir o transporte metrô com a cidade em funcionamento. É um duplo desafio", afirmou Dilma.

Para o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, as obras de mobilidade urbana vão melhorar a qualidade de vida da população. / Colaborou Bruno Ribeiro

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