HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Monotrilho deve levar um ano para operar em horário integral

Inaugurada em agosto de 2014, Linha 15-Prata funciona somente entre 9h e 14h; a partir de abril, período será das 7h às 19h

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2015 | 12h05

Atualizada às 15h59

SÃO PAULO - O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, afirmou na manhã desta segunda-feira, 30, que o primeiro trecho da Linha 15-Prata do Metrô de São Paulo terá seu horário de funcionamento ampliado para 12 horas diárias ainda em abril. Mas o funcionamento integral da estrutura só ocorrerá em agosto, ou seja, um ano após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) entregar a obra. Na época, ele concorria à reeleição.

Com isso, o ramal passará a funcionar das 7h às 19h ainda neste mês. Hoje, o percurso de 2,9 km entre as Estações Vila Prudente e Oratório só ocorre das 9h às 14h. Esse trecho do monotrilho foi aberto ao público no fim de agosto de 2014, mas ainda segue fechado durante a maior parte do dia.

Pelissioni alegou problemas de fornecimento elétrico para justificar a demora de mais de sete meses para a entrega total das duas primeiras estações da Linha 15. Uma das promessas do governo estadual para a construção de monotrilhos era o menor tempo de execução da obra. Mas a construção da Linha 15 começou em 2010.

"Temos duas empresas fazendo serviços para que possamos estender o horário. Primeiro, é a (fabricante de trens canadense) Bombardier, que está  comissionando quatro trens para que a gente possa fazer a operação por 12 horas", disse o secretário. "Isso está sendo concluído nos primeiros dias de abril. E nós temos um problema lá com a questão da energia, que é um contrato (entre) Siemens e MPE. A Siemens oferece equipamentos e a MPE é que faz serviços de ligações de energia. A MPE está com problemas, vocês estão acompanhando a Operação Lava Jato."

Com isso, de acordo com ele, a Siemens está assumindo os serviços da parceira de consórcio. A Siemens foi a empresa que revelou a existência do cartel no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entre 1998 e 2008 (durante os governos dos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra). Ela é investigada pelo Ministério Público Estadual e seu ex-presidente no Brasil acabou indiciado pela Polícia Federal.

"Até o fim de abril, queremos colocar ali em operação comercial", disse ainda Pelissioni. Questionado, no entanto, se a operação já será comercial plena, ou seja, das 4h40 à meia-noite, Pelissioni disse que não.

"É o horário de 12 horas, das 7h às 19h. depois, a gente tem um outro plano de expansão para até agosto", afirmou Pelissioni. A Linha 15 terá 26,6 km de extensão, entre a Vila Prudente a Cidade Tiradentes, na zona leste, ao custo de RS 5,5 bilhões.

Linha 4. O governador Alckmin afirmou durante evento de chegada de um tatuzão à área da futura Estação AACD-Servidor, na zona sul, que há multa prevista para o consórcio Ixolux-Corsán-Corviam, responsável pela construção da Linha 4-Amarela, que está com as obras praticamente paradas desde novembro do ano passado. O tucano, porém, não informou qual é o valor da multa.

Na semana retrasada, numa reunião entre o governo, o Banco Mundial (um dos financiadores do empreendimento) e o consórcio, chegou-se à conclusão de que o consórcio ainda tocaria a construção das Estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire. As outras duas estações que faltam ser construídas no ramal (São Paulo-Morumbi e Vila Sônia) necessitarão do lançamento de um novo edital por parte do governo, o que deve ocorrer até junho.

"Tem multa e tem garantia. O que ficou acertado com o Banco Mundial? Duas estações que estão bastante adiantadas (Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire), ela (o consórcio) terminaria. Teria este mês de abril (para recomeçar as obras). Não é para enrolar, é para pegar para valer a obra, pegar rápido e terminar. E nós vamos licitar as outras duas, que é (São Paulo-)Morumbi e Vila Sônia", disse Alckmin, que não informou o valor da multa.

Os dois contratos assinados em 2012 com o Isolux-Corsán-Corviam para a segunda fase da Linha 4 custam R$ 550 milhões. O consórcio alegou que o Metrô deixou de fornecer projetos necessários à continuidade das obras. O Metrô, por sua vez, sempre culpou apenas o consórcio pela redução do ritmo das obras. Agora, a Linha 4-Amarela só deve ficar pronta em 2018, conforme um cronograma apresentado nesta segunda-feira pelo secretário Pelissioni. Quando o ramal começou a ser construído, em 2004, o prazo chegou a ser anunciado para 2010.

Linha 5. No caso da expansão da Linha 5-Lilás, Alckmin promete agora entregá-la em, sua maior parte, em 2017, no trecho que vai da Estação Alto da Boa Vista a Chácara Klabin. Das paradas que estão nesse segmento, apenas a Campo Belo ficará para o ano seguinte, por envolver "grande interferência", segundo Alckmin. A expansão da Linha 5 já chegou a ser prometida para 2015.

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