Monotrilho completa seis meses de testes

Monotrilho completa seis meses de testes

Governo do Estado promete ampliar horário de operação da Linha 15-Prata neste mês

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 Março 2015 | 03h00

Aberta ao público há exatos seis meses, a Linha 15-Prata da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), o monotrilho da zona leste de São Paulo, continua sem funcionar quando é mais necessária: nos horários de pico. O tempo de testes é recorde na história da empresa. O Metrô promete ampliar o funcionamento, que hoje é das 9 às 14 horas, ao longo deste mês. 

O custo total da obra chega a R$ 6 bilhões. O monotrilho é um projeto da empresa canadense Bombardier. O primeiro orçamento, divulgado em 2011, calculava que a ligação de 16 quilômetros, entre a Vila Prudente e Cidade Tiradentes, no extremo leste, custaria metade disso. Quando ficar pronta, a linha terá 17 estações.

O ramal em operação liga a Estação Vila Prudente, da Linha 2-Verde, à Estação Oratório, exclusiva do monotrilho, passando pela Avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Mello. A visita assistida, que o Estado fez duas vezes na semana passada, já permite desmistificar algumas polêmicas levantadas ao longo da construção da obra, feita em meio a desconfianças diante do novo modal, um dos primeiros do mundo. Metrô diz que não há problema de segurança.

Impressões. A primeira dúvida era se o transporte poderia fazer surgir um novo “Minhocão”, trazendo degradação urbana à zona leste. “Não ficou feio, não, e não atrapalhou a paisagem. Para falar a verdade, ficou até bonito”, avalia o estudante Pedro Marinho, de 22 anos, morador da região que também viajou pela primeira vez no monotrilho na semana passada.

Embaixo das vigas, o governo do Estado já concluiu a instalação de jardins e de uma ciclovia. O viário foi recapeado. E as benfeitorias foram exploradas pelo mercado imobiliário, que instalou e vendeu prédios de alto padrão ao redor do novo ramal.

Já dentro do trem a desconfiança é maior. Chama a atenção o balanço da composição, que chacoalha conforme desliza pelos trilhos de concreto. “Agora, com ele vazio, tudo bem, é confortável. Mas estou sentido falta de lugar para segurar, o que vai ser um problema quanto isso aqui estiver lotado. Faltam também bancos”, disse a estudante de Arquitetura Rebeca Correa, de 21 anos. Ela e um grupo de colegas de sala, que estudam ali perto, decidiram visitar a obra na semana passada quando saíram da faculdade.

“O morador da zona leste, de Cidade Tiradentes, vai optar por esse meio porque vai ser mais rápido para chegar ao centro do que ir de ônibus. Não será por causa do conforto”, avalia outra integrante do grupo, Liliane Canuto, de 22 anos. Por dia, a linha tem recebido cerca de 800 pessoas, segundo o Metrô. Quando estiver pronto, o ramal deverá ser usado por 500 mil paulistanos. O trajeto passa ainda por São Mateus, Sapopemba e pelo Jardim Planalto.

Vila Prudente. Até hoje, nos 41 anos de história do metrô, o maior período de testes na empresa havia sido a extensão da Linha 2-Verde até Vila Prudente. O atraso era decorrente da chegada de um novo sistema de controle de trens.

Mesmo lá, cinco meses após a abertura, a linha já funcionava nos picos. A Linha 4-Amarela demorou um ano para operar o dia inteiro, mas é de responsabilidade da empresa ViaQuatro.

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