Monitor estava em balanço que matou menina em hotel

Depoimentos indicam que adulto de 25 anos dividia brinquedo com 2 crianças na hora em que viga despencou em Águas de São Pedro

RICARDO BRANDT , ESPECIAL PARA O ESTADO , CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h05

A Polícia Civil começou ontem a ouvir depoimentos no inquérito que apura a morte de Inês Schaller, de 4 anos, atingida pela viga do balanço do playground do Grande Hotel São Pedro, em Águas de São Pedro, interior paulista, no dia 23. O delegado Ricardo Fiore descobriu que, além da menina, estavam sentados nas outras cadeiras do balanço uma segunda criança e o monitor Daniel Rodrigues Ruivo Fernandes, de 25 anos.

"Foi esclarecido que a menina Inês estava no balanço do meio e nas cadeiras a seu lado estavam uma criança e o monitor. Ela estava balançando para trás, enquanto os outros dois estavam à frente", afirmou o delegado. A viga superior onde ficam penduradas as cadeiras quebrou nas duas pontas e caiu sobre o peito de Inês, que morreu no hospital. A polícia apura possível negligência na manutenção.

O monitor foi a segunda pessoa a ser ouvida na Delegacia de Águas de São Pedro. O primeiro depoimento foi do subgerente do hotel, Felipe Riena. Os dois saíram sem dar entrevista. Outros monitores e babás que estavam no local na hora do acidente também serão chamados para prestar depoimento, além de uma pessoa da família da vítima.

Inês estava no hotel com os pais e avós e passava férias no Brasil. Os pais, a brasileira Maria Isabel Gomes Pereira e o francês Jean Jaques Schaller, moram na França, onde são professores universitários. A família visitava os avós maternos, que moram em São Paulo. Eles tinham entrado no hotel um dia antes, para passar a semana.

Por volta das 12h, a criança brincava em uma das três cadeiras do balanço, quando a viga superior quebrou. O monitor e a outra criança, que estavam nas cadeiras dos lados, não se feriram. Inês chegou a ser socorrida no pronto-atendimento local, mas morreu por choque hemorrágico.

Perícia. O delegado afirmou que sem o laudo oficial do Instituto de Criminalística não é possível apontar responsáveis nem falar em negligência. Nos depoimentos, o advogado dos funcionários do hotel, Cid Vieira de Souza, entregou documentos para apontar que o hotel não é responsável pelo playground. "Uma empresa especializada terceirizada é responsável pela instalação e manutenção."

Para a polícia, o subgerente do hotel informou ainda que, em março, foi feita vistoria nos brinquedos e nenhuma irregularidade foi verificada. O perito que analisou o brinquedo e está fazendo o laudo do Instituto de Criminalística, Jefferson Willians de Gaspari, já declarou que "a viga estava comprometida por falta de manutenção". Segundo ele, apesar da boa aparência externa da madeira do balanço, por dentro o material "apresentava sinais de ação do tempo".

O delegado informou que o fato de uma empresa terceirizada ser responsável pelo equipamento não retira uma eventual responsabilidade por parte do hotel, caso seja concluído que houve negligência. O inquérito apura homicídio culposo (sem intenção de matar).

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