Moema: valet que usava prédio vazio é fechado

Após reportagem de ontem do ''Estado'', subprefeitura lacra serviço [br]irregular em edifício abandonado e diz que ele era feito por flanelinhas

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2010 | 00h00

A Subprefeitura da Vila Mariana fechou ontem o valet que funcionava na garagem de um prédio de luxo abandonado em Moema, bem ao lado do Parque do Ibirapuera, na zona sul. Segundo o órgão, o serviço era feito por "flanelinhas".

A fiscalização foi ao local após o Estado revelar ontem que os três andares de estacionamento do Edifício Saint Croix, que tem apartamentos avaliados em mais de R$ 1 milhão, recebiam diariamente carros de moradores e frequentadores da região, em especial de butiques e clínicas da Rua Jauaperi.

Os "coordenadores" do serviços cobravam R$ 10 pelas duas primeiras horas e R$ 1 pelas demais. Tudo isso sem a permissão das 14 famílias que compraram apartamentos do prédio por volta do ano 2000. Elas brigam até hoje na Justiça para poder mudar e relatam que não podiam mais entrar no edifício porque chefes do valet não deixavam.

Prometido para 2002, o prédio foi quase concluído, mas a obra parou por problemas financeiros da Construtora Darpan, que depois mudou de nome e de sócios e entrou em processo de falência.

Segundo a subprefeitura, o valet era formado por pessoas que cooptavam carros na rua "como flanelinhas", o que é ilegal, e se aproveitavam de um local abandonado. O órgão vai relatar o caso à polícia.

Alguns clientes nem sabiam que o carro era deixado em um prédio residencial quando paravam diante do balcão com guarda-sol vermelho montado a poucos metros do prédio. O manobrista de terno e gravata e as almofadas com números colocadas sobre os carros colaboravam para a impressão de que havia ali um estabelecimento oficial.

Ontem, para surpresa de motoristas que já haviam se acostumado a estacionar ali, destacava-se a placa de "lacrado" da Prefeitura. Alguns, como professores de uma escola de inglês, eram mensalistas. Frequentadores de uma clínica de olhos tinham desconto de 50%.

A rentabilidade se explica, entre outras coisas, pelo fato de a Prefeitura ter extinto 3.850 vagas de estacionamento gratuito no bairro em maio. No lugar, foram criados 45 novos trechos de Zona Azul, com 1.072 vagas.

O fechamento do serviço foi comemorado pelas famílias que esperam mudar para o prédio. Elas tentam desvincular o condomínio da antiga construtora, evitar que ele seja usado como pagamento a seus antigos credores e contratar outra empresa para terminá-lo. "Acho que foi ótimo o fechamento. Ganhavam dinheiro às nossas custas", diz a psicóloga Rosangela Lurbe, de 54 anos, uma das compradoras.

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