Modelo adotado pelo País é uma opção e um problema

Desde que os primeiros rankings universitários foram publicados, dois fenômenos aconteceram: a proliferação crescente desses rankings e a preocupação dos países mais desenvolvidos em colocar suas melhores instituições em boas colocações.

ANÁLISE: Roberto Lobo é ex-reitor da Universidade de São Paulo (Usp) e especialista em gestão da educação, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2013 | 02h04

Isso porque, além de ser um indicador de excelência cultural, é uma fonte de atração para estudantes e professores, garantindo a viabilidade financeira das universidades em países onde o pagamento elevado das mensalidades por estrangeiros é receita decisiva, como na Grã-Bretanha. Todos os países com peso internacional querem ter instituições nesses rankings. Todos menos o Brasil! Em recente artigo, o professor J. P. Alperin, da Universidade Stanford, afirma que o Brasil é o único país de porte (e isso acredito tanto o governo quanto academia) que não se voltou à meta de colocar suas melhores universidades nos rankings.

Em vez disso, o governo desenvolve universidades públicas de forma isonômica, sem concentrar esforços em privilegiar algumas poucas para destacá-las no cenário internacional, e isso não é de hoje. É uma opção. Além disso, as universidades brasileiras não procuram implementar mecanismos eficientes para sua internacionalização, atraindo estudantes e professores estrangeiros. É um problema.

Embora os rankings não representem a verdade objetiva, mesmo porque não concordam entre si, a análise dos indicadores e a colocação das universidades trazem subsídios para orientar seus programas. O erro seria correr atrás de qualquer ranking para atingir seus indicadores a qualquer preço.

A notícia de que a USP e a Unicamp caíram no ranking do Times Higher Education não acompanha os outros rankings. É possível que isso se deva a mudanças internas de critério do grupo que o elabora. A posição da USP e da Unicamp não tem, em geral, piorado. Ao contrário. É importante destacar que as 30 melhores universidades do mundo têm muito menos alunos e professores do que a USP. A USP está na busca da união de quantidade, qualidade e inclusão social, receita difícil, que pode ter atingido seu limite.

Em relação a indicadores per capita (por aluno ou professor), as duas instituições têm números semelhantes, abaixo dos das melhores universidades. Há ainda bastante que melhorar nossas instituições para poder ocupar posição de destaque no cenário internacional.

Mais conteúdo sobre:
UspAnáliseranking

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.