Moda no inverno será mais clássica e prática

Saltos de sapatos e botas apareceram mais baixos e as saias, mais longas; transparência também é tendência

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h04

Durante os seis últimos dias, 29 desfiles apresentaram as tendências do outono-inverno da São Paulo Fashion Week, no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, zona sul da capital. E, para sorte do consumidor, que toda temporada tenta descobrir pistas do que deve procurar nas lojas na próxima estação, alguns desfiles foram quase didáticos. A moda vai estar mais clássica e prática.

"Alguns looks poderiam ser facilmente desmontados e usados no dia a dia", disse a empresária e consultora de moda Costanza Pascolato. "Até a Neon, que costuma ser mais exuberante nas cores e formas, estava um pouco mais contida."

Era só olhar para os pés das modelos que entravam na maioria dos desfiles para ver a praticidade. Os saltos de sapatos e botas surgiram mais baixos - com entre 6 e 7 centímetros de altura, e não mais com 10 cm. "Fiz uma coleção para o consumidor comprar e levar para casa", disse Pedro Lourenço, de 21 anos, que apresentou seu primeiro desfile na SPFW. "Não mostrei só tendência." Na passarela, o estilista deixou seu recado: jaquetas de nylon, saia lápis e casacos até os joelhos são peças indispensáveis.

As saias estão mais compridas. A altura fashion é o mídi - que fica no meio da canela. Vale lembrar que o modelo engrossa as pernas. Quem prefere o mais longo deve deixar a saia cobrir os pés. Se for uma roupa de festa, vale fazer o estilo diva, como sugerem André Lima e Gloria Coelho, e deixá-la arrastando no chão. Aquela minissaia curtíssima de cintura alta, a sensação do verão entre a garotada, principalmente nas baladas, desapareceu.

Nem toda tendência, porém, ganha espaço nas ruas. "Por exemplo, a cintura está bem marcada para o inverno, mas a brasileira gosta de bata. Ela prefere esconder as gordurinhas do abdome e destacar o peito. Não sei se pega", disse Costanza.

É justamente essa cintura bem marcada que dá ao look um ar meio sessentinha, atualmente em voga na moda internacional. Os modelos retos e lânguidos da Maria Bonita foram em alguns momentos apresentados com cintos finos ou bem largos, deixando o consumidor à vontade para escolher sua preferência.

"A moda está mais construída. Prevaleceu a alfaiataria", disse Costanza. Até a Cavalera, grife mais urbana e roqueira, mostrou corseletes e casacos com babados, ganhando um jeitão mais aristocrático e chique.

Transparências. Para a stylist Flávia Pommianosky, o que chamou atenção nesta edição foram as transparências. Além da renda, o tule e a organza são tecidos importantes. A dica é usar o transparente sobre lingeries fashions, quase tops, como mostrou Alexandre Herchcovitch em seu desfile. Para esquentar, vale usar veludo, couro e muitas peles - de todos os tipos, sintética ou de bicho de verdade.

"Também estarão em alta os tecidos laminados", disse Flávia. O couro e a seda, entre tantas outras tramas, ganharam tons dourado e prateado. E, ao contrário das estações passadas, os conjuntinhos voltaram com tudo. "A moda está mais versátil", disse Costanza. É só pegar uma peça nova, um casaco com pelo, por exemplo, e compor com o que se tem no guarda-roupa. /COLABOROU FLÁVIA GUERRA

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