Moda na Câmara, Twitter vira meio de cobrar vereador

39 dos 55 parlamentares paulistanos já usam a rede social para se comunicar com cidadãos; Gabriel Chalita é campeão de mensagens

Rodrigo Burgarelli, de O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2010 | 20h56

SÃO PAULO - O Twitter pegou na Câmara Municipal: 39 dos 55 vereadores paulistanos já estão entre os 100 milhões de usuários da rede social - um crescimento de quase quatro vezes em comparação a maio de 2009. Nos últimos meses, a interação entre vereadores e cidadãos pelo Twitter cresceu em qualidade e quantidade.

Para tentar mensurar o desempenho dos parlamentares paulistanos no microblog, o Estado elaborou três rankings com auxílio de ferramentas online que medem as estatísticas e a popularidade de usuários do Twitter. Foi possível medir o vereador mais influente, o que mais fala e o que mais responde às mensagens dos munícipes.

 

O líder das três listas é o mesmo: o vereador, escritor e apresentador Gabriel Chalita (PSB). Famoso por suas mensagens poéticas e recados de autoajuda no microblog, o parlamentar paulistano mais bem votado nas eleições de 2008 tem 44.605 seguidores e envia em média 972 mensagens por mês (ou 33 por dia), sendo 84% respostas a cidadãos. Para efeito de comparação, o segundo colocado, Gilberto Natalini (PSDB), responde 48% do que envia.

 

Divulgação

 

Chalita conta seu segredo. "Tento responder o máximo que der, pelo menos umas 30 mensagens por dia." Segundo ele, o Twitter contribui bastante para sua atuação parlamentar e deve auxiliar na hora de pedir votos este ano. "É comunicação rápida. As pessoas têm de ser objetivas para perguntar e você tem de ser objetivo para responder."

 

O vereador Netinho de Paula (PC do B) - que também será candidato nas próximas eleições - tem o segundo lugar no ranking da popularidade no Twitter, com 4.888 seguidores. Netinho comenta bastante sobre suas atividades políticas e atuação parlamentar - 44,4% das mensagens são respostas a eleitores ou fãs.

 

Em seguida, vêm a vereadora Mara Gabrilli (PSDB) - que twitta notícias e informações voltadas a deficientes -, o presidente da Câmara Antônio Carlos Rodrigues (PR) - que fala pouco com eleitores (21% das mensagens) e gosta de comentar sobre sua presidência e futebol - e o líder tucano Carlos Bezerra Júnior - que responde 42,8% das mensagens, cita a Bíblia, comenta seus projetos de lei e fala sobre sua família.

 

Frutos

 

O uso do microblog pelos vereadores já rendeu até frutos concretos na Câmara. Gabriel Chalita (PSB) conta que comentou no Twitter algo sobre crianças desaparecidas. Uma eleitora respondeu: "Porque você não faz um projeto de lei obrigando as escolas a manter um banco de fotografias de cada criança? Isso ajudaria a encontrá-las." Chalita nunca havia pensado nisso. Como achou a ideia interessante, apresentou o projeto, que, inclusive, já foi aprovado em primeira discussão.

 

O vereador Floriano Pesaro (PSDB) trocou as conversas mensais que realizava num bate-papo em seu site por debates pela rede social. "Anteriormente, participavam cerca de cem pessoas em cada bate-papo. No último que fiz pelo Twitter, contamos mais de 700 pessoas."

 

Apesar disso, há ainda uma forte ala "anti-Twitter" na Câmara. "Não tenho nem vou criar. Eu só vejo se enaltecer o Twitter quando o sujeito comete um deslize, e nunca por um fato important. Você quebra sua privacidade e não apresenta nada de útil", diz Marco Aurélio Cunha (DEM).

 

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