Moda dos espanhóis só aumenta na capital

No topo do ranking mundial, gastronomia estrangeira ganha espaço na cidade

VALÉRIA FRANÇA , O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2012 | 03h04

Restaurantes espanhóis ocupam o topo da lista dos melhores do mundo - El Celler de Can Roca e Mugaritz, por exemplo, colocam-se à frente do brasileiro D.O.M., que chegou à quarta colocação do ranking da revista britânica Restaurant neste ano. E, em São Paulo, nessa onda da gastronomia espanhola, está ficando cada vez mais fácil experimentar as delícias da comida hispânica. Batatas bravas, berinjela assada com pinholes tostados ou simplesmente jamón (presunto) são algumas das tapas que o paulistano encontra em restaurantes ou até na balada.

A comida espanhola virou moda, e a cidade ganhou opções para todos os estilos. Quem percorre o eixo da Rua Augusta tem pelo menos três endereços para escolher.

Do lado dos Jardins, na Rua Oscar Freire, fica o restaurante Alma Maria. Trata-se de um salão moderno, com pé-direito alto e 120 lugares, projetado pelo arquiteto Arthur Casas. Assinado pelo chef catalão Tony Botella, o cardápio tem, além das tapas tradicionais - que vão de R$ 11 a R$ 29, sucesso principalmente entre os grupos de luluzinhas da região -, tortillas de batatas bravas e a tradicional paella.

No outro extremo, no Baixo Augusta, o Sancho - Bar y Tapas tem mais jeito de bar animado. "Vendemos por unidade, para que o cliente de fato experimente", diz o sócio Fábio Pasquale, de 32 anos. Cada tapa custa de R$ 3 a R$ 5. Às sextas-feiras e aos sábados, o lugar fecha às 4 horas. Às segundas, a casa tem show ao vivo de música espanhola e, às terças, apresentação flamenca.

Na balada. A 200 metros do Sancho fica o Tapas Club, misto de balada e bar de tapas, com uma decoração que remete aos anos 1960. A casa é mais famosa pela música eletrônica do que pela comida. Mas no cardápio há porções como as populares batatas bravas e chorizo (linguiça) com ervas.

Até empresários experientes do ramo pegaram carona na febre espanhola. Há cinco meses, a Cia. Tradicional de Comércio, dona de casas como Astor, Pirajá e Lanchonete da Cidade, trouxe para a Vila Madalena, zona oeste, o bar carioca Venga!. "Tínhamos a ideia de abrir um bar com tapas, antes mesmo do boom espanhol. Demoramos tanto para resolver que achávamos que já tínhamos perdido a vez, até que conheci o Venga! no Rio", diz Edgard Bueno, um dos sócios.

A unidade paulistana é quatro vezes maior do que a carioca e tem tapas clássicas, como o pulpo a la gallega e polvo confitado com batata e páprica. E, seguindo a tradição dos outros negócios, o grupo investiu na qualidade dos ingredientes. Servem jamón Pata Negra, de Huelva, da Andaluzia, curado por 24 meses.

Boas opções. A farmacêutica Sheila Biller Aparício, de 32 anos, está sempre de olho nas novidades da gastronomia espanhola. Já foi a vários endereços. "Gostei da comida do Sancho, mas achei o local muito barulhento."

Ela também experimentou o cardápio do estrelado Eñe, nos Jardins. "É bom, mas não é tão espanhol assim", diz Sheila, acostumada com uma gastronomia de raiz feita pela família.

Sheila elegeu o La Madrileña, aberto há três meses, na Vila Madalena, onde comemorou o aniversário. "Eles servem pratos típicos. E orientam os clientes, que, como eu, não entendem de vinhos espanhóis, mas gostam de beber."

O ponto alto da casa é o quintal, com 16 lugares. "Sempre que vou lá, tenho a impressão de estar fora de São Paulo. Dá para ficar a noite inteira, experimentando tapas e bebericando."

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