Tiago Queiroz / AE
Tiago Queiroz / AE

Moda agora é ter loja + balada + cabeleireiro

Estratégia de agregar serviços, eventos e entretenimento a espaços onde antes só se vendia roupa e sapato ganha adeptos em SPgastronomia e comércio num só lugar e fila de até 40 minutos para jantar no Lorena 1989

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

A manicure Gisele Camargo já recebeu cliente de helicóptero, vindo de outros Estados, atrás do esmalte verde jade da grife Chanel. "A cor está em extinção, tem gente que oferece U$ 200 pelo frasco na internet", garante Adriana Barra, que, na onda multicolorida dos esmaltes de grife, criou no segundo andar de sua loja um espaço onde as frequentadoras podem fazer a mão. Ela diz que resolveu "compartilhar"com a clientela sua coleção, que começou a montar há cinco anos e inclui cerca de 20 marcas, entre elas MAC, Ana Sui, Dior .

A história do espaço, que, no caso da loja de Adriana, foi batizado de Pic Nic Dric, está se difundindo em diversos ambientes da cidade. É balada com espaço, loja com espaço, cabeleireiro com espaço. Para o dono do estabelecimento, é um negócio e tanto. A cliente chega para comprar a roupa e faz a unha, ou vice-versa. Na balada, depois de alguns drinques, lá está a lojinha com as portas abertas, cheia de bugigangas. Entrar é, literalmente, um passo. "Juntei uma nova paixão com a oportunidade de criar um novo negócio", resume Adriana.

A unha com Gi custa R$ 35. É cara, mas não se compara ao preço de um vestido e não deixa de ser Chanel. Até a acetona, ali, é de grife. "Dura mais, seca mais rápido", acredita a empresária Rubiane Corrêa, de 38 anos, que entrega suas mãos para que Gi aplique um rosa fosco. "Eu não usava nada que não fossem os branquinhos. Aí, a Gi foi me apresentando as cores, fui experimentando", diz Rubiane, na frente do armário branco com a aparência de casinha de chantilly que abriga os frascos coloridos.

Em geral, quando se inaugura um agregado, a grife principal o sustenta até que ele possa caminhar com as próprias pernas. A Surface to Air, marca cult francesa com filial nos Jardins, é um referencial para quem não sabe ainda onde fica o restaurante Lorena 1989, que os mesmos donos inauguraram na loja vizinha.

Então, quando alguém marca um jantar no restaurante e não sabe dizer ao acompanhante o nome (ou não decorou o número), em geral vem explicação do tipo: "Fica ao lado da Surface to Air". É bom para a loja e para o restaurante. "Nossa ideia era fazer com que o serviço da loja aumentasse e enriquecesse", diz Karina Mota, sócia dos dois lugares com mais seis pessoas - entre elas, seu marido, Sebastién Orth, que conheceu quando estudava na França e trabalhava como assessora de imprensa da grife Stella McCartney.

Fila. A espera para conseguir mesa no jantar do Lorena 1989, inaugurado há pouco mais de três meses, chega a 40 minutos. Por sua vez, a loja passou a abrir até as 22 horas - ou até quando o último cliente sair. Durante o dia, quando Karina recebe para o lançamento de algum córner novo, em geral de coleções exclusivas de marcas consagradas, as comidinhas do coquetel são do próprio restaurante. Os garçons só precisam sair de uma porta e entrar na do lado. Ela também usa o restaurante para reuniões com estilistas que pretendem expor na loja, como Juliana Jabour - o que ajuda a divulgá-lo para um público literalmente na moda. "Isso aqui era um restaurante tailandês. Aproveitamos a estrutura para oferecer um serviço especial. Mas não é fácil surpreender nosso público, eles são exigentes, dá trabalho", diz Karina, tomando uma cerveja Colorado.

"Versão beta". Um pouco mais ambicioso, o empresário Chico Lowndes agregou em seu Estúdio EMME ("m" de mudança, movimento, música, moda), inaugurado no começo do mês, três serviços geminados: balada (ele não gosta do termo, mas não encontra outro), lojinha e cabeleireiro. Detalhe: o espaço da balada é otimizado, entre as 20h e as 22h30, com apresentações de grupos de teatro e música. Atualmente, estão em cartaz os espetáculos Terças Insanas, Romance, Vol II e Emoções Baratas. "O conceito é multidisciplinar, o cliente encontra vários serviços em um mesmo lugar, não precisa ficar se deslocando", diz.

Segundo a consultora Carol Fernandes, que vende na lojinha do Estúdio EMME, "tem gente que chega aqui para ir à balada com uma roupa e sai com outra". Ela diz que a chapelaria da casa está preparada para a troca de todo o guarda-roupa. Propositalmente, as roupas - vestidos, jeans, blusas e agasalhos - não custam mais de R$ 200. "Ninguém vai deixar milhões aqui. É só para dar um tapa mesmo", diz. Em dias de balada, a loja fica aberta até a 1 hora.

Chico define o conceito de balada + lojinha + cabeleireiro como "versão beta", uma comparação com o software que está sempre em evolução. "Pela rapidez com que as coisas caminham, você percebe que nada mais é definitivo", diz ele, cujo projeto é "editar o mundo para o consumidor".

Serviço

ADRIANA BARRA: ALAMEDA FRANCA, 1243; (11) 2925-2300, JARDIM PAULISTA. ESTUDIO EMME: RUA PEDROSO DE MORAIS, 1036, PINHEIROS; (11) 3031-3290. RESTAURANTE LORENA 1989: ALAMEDA LORENA, 1989, JARDINS; (11) 3081-2966. SURFACE TO AIR: ALAMEDA LORENA, 1985; (11) 3063-42006.

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