Moda agora é diminuir o número do sutiã

Arrependidas de terem colocado próteses entre 300 e 350 ml, mulheres se submetem a nova cirurgia para reduzir os seios; procura cresceu 15%

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

20 Junho 2015 | 19h06

SÃO PAULO - Depois da onda dos seios fartos, modelados com próteses de silicone, mulheres estão voltando para a mesa de cirurgia em busca de um novo padrão: mamas pequenas e com aparência natural, como as que eram vistas nas décadas de 1980 e 1990.

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) apontam que, entre o início de 2014 e os primeiros meses de 2015, a troca de próteses consideradas grandes, entre 300 e 350 ml, por modelos menores, entre 200 e 250 ml, cresceu até 15% do ano passado para cá.

“As mulheres jovens, deslumbradas com próteses grandes, acabaram solicitando-as, mas o peso excessivo causa problemas de coluna e estrias, e muitas acabaram voltando para fazer a correção”, explica Prado Neto, presidente da SBCP.

A professora Thaisa Guariglia, de 26 anos, colocou 395 ml de silicone em cada mama após emagrecer 23 quilos, em 2009. Em julho do ano passado, insatisfeita com a aparência dos seios, que para ela estavam caídos, e com um problema na prótese que lhe causava dores, ela reduziu o tamanho para 210 ml. “Fui com a cabeça de que trocaria a minha por uma prótese maior ainda, mas o médico explicou que, se eu colocasse, ia cair. Quando troquei, estranhei muito, fiquei chateada, mas, agora, estou adorando.”

A parte estética foi fundamental na decisão da consultora jurídica Eliana dos Santos (na foto abaixo, à dir.), de 56 anos. Ela conta que começou a achar a prótese de 300 ml colocada em 2001 desproporcional, e a troca por um modelo menor foi a solução encontrada. “Troquei em 2012, porque não combinava mais comigo. Estou com uma de 220 ml e está muito mais natural e de acordo com o meu biotipo.” Com a nova prótese, precisou mudar os sutiãs, que passaram do tamanho 42 ou 44 para o 38.

Nora de Eliana, a analista de marketing Jacqueline Gomes Stefanelli (na foto abaixo, à esq.), de 28 anos, também está entre as mulheres que reduziram as mamas após aumentá-las. “Coloquei 300 ml em 2010. Assim que saí da cirurgia já vi que tinha ficado grande demais e não gostei.”

Nos três anos seguintes, ela conviveu com roupas que não serviam. “Nada ficava bom. Ficava largo na cintura e apertado no peito.” Também não estava confortável com a imagem do próprio corpo. “Ficou desproporcional. Eu sou magra e estava com o peito muito grande.” Até que veio a nova operação. “Agora, coloquei 240 ml. Fez muita diferença.”

Tendência. Diretor da clínica de cirurgia plástica Lange, Eduardo Lange Hentschel diz que o novo perfil de mama é uma tendência crescente. “As mulheres estão se educando, e esse é um processo contínuo. As próteses menores são mais elegantes e naturais.” Ele também vê uma influência da procura pela durabilidade do resultado. “A lei da gravidade é implacável. Elas estão trocando as próteses porque o desejo de uma paciente é que o resultado perdure pelo máximo de tempo possível.”

Segundo o cirurgião plástico Marcelo Olivan, a troca de próteses grandes por menores é algo que está ocorrendo em todo o mundo. “A procura tem aumentado ano a ano e é uma tendência mundial.” Ele diz que a conversa entre médico e paciente não pode ser dispensada. “A paciente tem de estar ciente das possibilidades que existem, e o cirurgião tem de apresentá-las para ela não se arrepender”, afirma.

Respeito ao corpo. Psicólogo especialista em sexualidade e professor da Faculdade Santa Marcelina, Breno Rosostolato associa a mudança de perfil de modificação corporal à necessidade de respeitar mais o próprio corpo. “Nos anos 2000, o silicone era uma afirmação das mulheres em se apropriar do seu corpo para transformá-lo, mas tivemos muitas mulheres insatisfeitas. Essa mudança atual talvez não seja um modismo, mas uma readequação. As pessoas estão percebendo que querem se apropriar do corpo de outra maneira.”

Rosostolato afirma também que a busca atual é por um modelo de vida que esteja livre de desconfortos. “Eu vejo, hoje em dia, uma necessidade de as pessoas respeitarem o corpo com uma alimentação saudável, exercícios. Elas estão acordando para valorizar não só o corpo, mas a vida.”

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