MOCIDADE BICAMPEÃ

Com enredo sobre contos de fada, escola da zona norte de SP ganhou seu segundo título seguido em disputa apertada com a Rosas de Ouro

ARTUR RODRIGUES, JULIANA DEODORO, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2013 | 02h02

Em disputa apertada, a Mocidade Alegre foi campeã do carnaval paulistano pela nona vez na história - e a segunda consecutiva. Com o enredo A sedução me fez provar, me entregar à tentação... Da versão original, qual será o final?, a escola brincou de dar um fim diferente a contos de fada. Terminou a apuração com a mesma pontuação da Rosas de Ouro, a segunda colocada. Mas, no critério de desempate, o enredo ganhou por um décimo: ficou com 30 pontos, enquanto a Rosas fechou com 29,9.

A vitória teve clima de festa de despedida: a Mocidade deixará no dia 28 a sede que ocupa há 40 anos no Limão, bairro da zona norte. Deve ir para outro terreno maior, antes da mudança definitiva para a Fábrica do Samba.

No sambódromo, Solange Bichara, presidente da Mocidade, rezava e repetia em voz baixa "dez, dez, dez" a cada nota. Quando foi confirmado o bicampeonato, custou a acreditar. "Não ganhamos, não. A gente não ganhou!" Do lado de fora da quadra, o samba era cantado antes mesmo do fim da apuração. O critério decisivo para a vitória foi mestre-sala e porta-bandeira. Estreante na escola, depois que a porta-bandeira oficial machucou o joelho, Karina Zamparoli estava emocionada. "Estou muito feliz por acreditarem no meu trabalho."

Enquanto isso, o clima era tenso na Rosas de Ouro, que chegou a liderar a apuração. Assim que a última nota de enredo foi anunciada, a diretoria caiu no choro. A pontuação final de 29,9 para o samba Os condutores da alegria - Numa Fantástica Viagem aos Reinos da Folia fez a agremiação bater na trave pelo 2.º ano seguido.

A presidente da Rosas, Angelita Basílio, baixou a cabeça. "Carnaval é assim, se define no final. Mas não entendi essa nota do enredo", disse, minutos após reclamar da "mão pesada" de uma jurada que deu 9,7 para o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Decepção maior só na Unidos de Vila Maria, rebaixada para o Grupo de Acesso. "Viemos aqui para disputar o título e acabamos no último lugar. Não tem explicação", disse o presidente da agremiação e da Liga Independente das Escolas de Samba, Paulo Sérgio Ferreira, o Serginho.

Dirigentes da Mancha Verde, penúltima colocada e também rebaixada, saíram antes do término da apuração, sem falar com ninguém.

Por pouco. Quem mais comemorou ontem não foi a Mocidade, e sim a Águia de Ouro, terceira colocada. A escola começou a apuração com 1,1 ponto a menos, porque estourou em um minuto o tempo do desfile. Mas, com notas excelentes, acabou virando o jogo. Foi a única a ganhar 10 de todos os jurados no quesito bateria. "Se não fosse esse ponto, era vitória com sobra. A gente é campeão moral. Não tem nenhuma frustração, é só alegria", disse Jurandir Leonardo, diretor de Harmonia da escola da Pompeia.

Vigilância. Por causa da confusão do ano passado, quando um representante da Império de Casa Verde rasgou as notas da apuração e houve quebra-quebra no Anhembi, a contagem dos votos neste ano foi a primeira sem público. E, com segurança reforçada, terminou sem incidente. "Viemos com 30 investigadores e quatro delegados", disse Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia do Turista. Segundo ele, foram apenas 12 boletins de ocorrência em todo o carnaval. "Foi o carnaval mais seguro. Oito BOs foram por perda de documentos." O caso mais grave foi um furto, no qual o ladrão acabou preso.

A única confusão foi no Grupo de Acesso, no qual dois jurados deixaram de dar notas para duas escolas em dois quesitos. Faltaram as pontuações para alegoria da Camisa Verde e Branco e samba-enredo da Pérola Negra. Como o regulamento determina que, em caso de falta de nota, a agremiação repita a maior nota atribuída, ambas ganharam 10.

A Pérola Negra foi a campeã do Grupo de Acesso com enredo homenageando o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Em segundo lugar, ficou a Leandro de Itaquera, com o enredo O leão guerreiro mostra sua força! É a garra e a bravura do negro, no quilombo Leandro de Itaquera.

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