Mocidade Alegre é destaque em segundo dia de desfiles

Confusão em apresentação da primeira escola, com passista expulsa, e queda de integrante da última agremiação marcaram encerramento dos desfiles do grupo especial

LUIZ FERNANDO TOLEDO, PAULA FELIX E RAFAEL ITALIANI, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2016 | 08h25

 

SÃO PAULO - Passista agredida e expulsa do desfile, integrante que caiu do carro e ficou gravemente ferido e até suposta agressão cometida pelo presidente de uma agremiação.  Esse foi cenário da segunda noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval de São Paulo no  Sambódromo do Anhembi, na zona norte.

 

A X-9 Paulistana precisou tirar o segundo carro da avenida após a queda de um integrante, de uma altura de sete metros. Ele foi socorrido por uma ambulância. Além disso, a escola teve uma série de problemas com as alegorias ao longo do desfile - uma delas precisou ser retirada após falha no eixo. 

Uma suposta agressão cometida pelo presidente da Vai-Vai, Darly Silva, o Neguitão, está sendo apurada, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Se confirmada, a agremiação pode perder três pontos. A assessoria da escola informou que ainda não tem um posicionamento sobre o caso. 

Outro problema foi registrado logo no início da noite: a modelo dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff (PT), Juliana Isen, foi impedida de desfilar com um tapa-sexo com a imagem da presidente e acabou sendo expulsa a pontapés do desfile após tirar a roupa, em repúdio. Ela desfilava na apresentação da escola Unidos do Peruche.  "Me senti humilhada e estou saindo ferida. Vou processar essa escola", disse a modelo.  A escola pode perder pontos na apuração nos quesitos evolução e fantasia. 

 

O presidente da agremiação, Sidney de Moraes, o Ney, justificou a ação do integrante da escola. "Ela não estava com a vestimenta legal. Em cima disso nós acabamos perdendo  ponto. Nossos harmonias estão praticamente cientes disso e  acabaram tirando (a integrante). Só que por parte do folião, ela quis permanecer. A gente deu a  fantasia, doamos. Ela simplesmente não quis sair. Isso não é legal", disse. 

Temas. O Unidos do Peruche  comemorou em seu espetáculo o centenário do samba e usou seu tempo para contar a história do mais tradicional ritmo brasileiro. O desfile teve, em um dos setores, tom de protesto. A agremiação incluiu em sua apresentação uma ala teatral que mostrará os sambistas sendo perseguidos pela polícia. 

Para explorar o universo dos mistérios, a Império de Casa Verde apostou em um desfile visual, com fantasias trabalhadas e carros luxuosos. O grupo surpreendeu o público com um abre-alas imponente, que carregava o tigre, símbolo da escola. O equipamento tem 75 metros de comprimento e 15 metros de altura. 

A bateria investiu em paradinhas que casavam com o samba-enredo. No trecho que falava "bate forte coração", foram simuladas batidas do órgão. O desfile foi a estreia do carnavalesco Jorge Freitas, ex-Rosas de Ouro, na agremiação. "Hoje, o carnaval de São Paulo tem uma potência chamada Império de Casa Verde, que fez um grande carnaval."

Já a Acadêmicos do Tucuruvi, terceira a se apresentar, fez uso do recorrente tema da religião no Brasil, sem novidades. Com o enredo “Celebrando a Religiosidade: Tucuruvi canta Festas de Fé”, trouxe uma comissão de frente que mostrou índios sendo catequizados por jesuítas. 

O segundo carro fez homenagem a Iemanjá, com 30 mulheres girando seus vestidos de filhas de santo agradecendo à rainha do mar.  Na sequência, referências a diversas festas religiosas do País.  "Vai meu samba e me leva a viajar / Na luz desse povo festeiro / Acreditar pra ser feliz / A hora é essa, sou Tucuruvi", cantaram os integrantes do grupo. 

A Dragões da Real apostou nos presentes como tema de seu enredo. Para abordá-lo, ninguém menos do que o Papai Noel como protagonista do abre-alas. Em sua casa, o "bom velhinho" samba ao lado dos presentes, que ganham vida. Uma boneca, um soldado verde, um robô e um urso animam o público, que cantou com facilidade o samba-enredo.

A Mocidade teria feito um desfile de campeã se não fossem os buracos deixados nos últimos setores da escola, causados por um carro alegórico com problemas mecânicos. Ficou claro que a agremiação correu na avenida para tapar os espaços em branco. Apesar dos problemas, a Morada do Samba mostrou um samba-enredo fácil de cantar e conquistou o público. A bateria fez uma série de paradinhas ao longo do desfile, mostrando que a arquibancada sabia a letra da música. Foi o desfile mais emocionante da noite. 

Composta basicamente de pessoas da comunidade, deixando o característico cheiro de arruda na avenida, foi uma das escolas que mais mostrou a interação entre foliões e escola: sobrou animação e nenhuma das alas deixou de cantar o samba-enredo.

A Vai-Vai fez um desfile elegante, cheio de referências histórias, fantasias luxuosas e alegorias vibrantes. A escola também brincou com os sentidos do público do Anhembi e teve um carro alegórico que cruzou a avenida borrifando perfume francês. A bateria, que vestia as cores da bandeira do país, ousou ao fazer uma coreografia que misturava dança e corrida para entrar no recuo

"O Brasil está de braços abertos para a França. Estamos sendo homenageados pela melhor escola de São Paulo. É uma honra e um prazer", disse o cônsul-geral da França em São Paulo, Damien Loras.

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