Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Mocidade Alegre é campeã do Carnaval 2012 de São Paulo

Anuncio foi feito cinco horas após interrupção na apuração; resultado causou revolta a dirigentes

Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2012 | 23h16

Só cinco horas após a interrupção na apuração do carnaval paulistano, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo anunciou que a Mocidade Alegre ganhou o carnaval paulistano. A decisão foi do colegiado dos presidentes de escolas, por 7 votos a 5. Nenhuma punição às agremiações envolvidas na confusão da tarde foi anunciada.

Mesmo assim, o anúncio causou revolta e dirigentes da Rosa de Ouro e da Camisa Verde e Branco já ameaçavam não desfilar em 2013 e até questionar o resultado judicialmente. A Camisa e a Pérola Negra foram rebaixadas. A Tropa de Choque teve de ser chamada para dispersar os foliões e diretores.

O presidente da Liga das Escolas de Samba, Paulo Sérgio Ferreira, já havia adiantado à tarde que deveria ser mantido o resultado até a suspensão da apuração. "Tem escola que não sabe perder. O jogo é jogado, a regra é clara." Já a presidente da Mocidade, Solange Bichara, hostilizada no Anhembi, afirmou que também não ficou satisfeita. "Não queria ser campeã em cima de ninguém. Preferia que as notas fossem lidas para consagrar o título da escola."

A agremiação da zona norte precisava de apenas um 9,9 entre as duas notas que restavam ser anunciadas para festejar. A quadra no Limão estava lotada, em silêncio, na expectativa (veja abaixo). Foi quando as notas acabaram rasgadas. À noite, os dirigentes optaram por usar o artigo 29 do regulamento, que prevê repetição de notas de outros jurados, caso um julgador não faça a devida anotação.

A discussão demorou horas porque, segundo Fábio Andrade, do Departamento de Carnaval da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, chegou-se a um impasse, uma situação não diretamente prevista no regulamento. "Caso faltasse só uma nota, o artigo 11 prevê que seja feita a média das outras duas", observou.

Não existe nenhuma cópia dos votos dos jurados. Cada uma das cédulas de apuração é feita com papel moeda, com nove itens de segurança e código de barras, para evitar falsificações. Também se descartou uma consulta aos julgadores. "Agora, eles já sabem da confusão e da nota de outros avaliadores."

A situação era confusa tanto em relação ao título quanto ao rebaixamento. A diferença entre a penúltima (Pérola) e a antepenúltima colocada (Águia de Ouro) era de 0,4. Já a distância entre Mocidade e Rosas e Vai-Vai era de apenas 0,2.

Antes de deixar o sambódromo, à tarde, informou que, caso não se conseguisse terminar a apuração, por causa dos votos rasgados, a classificação - no exato momento que teve início a confusão - seria mantida. , disse.

A Morada do Samba. Caso se confirme o oitavo título da Mocidade, ela passará a ser a quarta maior ganhadora do carnaval paulistano, atrás apenas da própria Camisa (9 títulos), da Nenê de Vila Matilde (11 troféus) e da Vai-Vai (14 vitórias). Curiosamente, quando a Mocidade surgiu, em 1967, a Nenê já detinha seis títulos e a Unidos do Peruche (hoje no Acesso), cinco.

Após o título de 2009, a Mocidade veio neste ano com garra renovada, para superar o incêndio que atingiu seu barracão em janeiro. O enredo, com base no livro Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, ganhou as arquibancadas, sobretudo graças ao show da bateria. Neste ano, foi Aline Oliveira, de 22 anos, rainha da ala, quem cadenciou o som da escola. Em três momentos do desfile, ela subiu em uma plataforma móvel em meio aos ritmistas, e tocou um surdo no mesmo tom que o restante da bateria. A plateia foi ao delírio.

Também não faltou, na bateria do Mestre Sombra, o movimento chamado "cubo mágico", no qual o grupo se divide e alterna de posição. "Quando o pessoal vê que é a Mocidade, já pensa que vai ter surpresa na bateria. Virou uma obrigação", disse Sombra no sambódromo.

Segundo a musa, a ideia da performance foi do Mestre. "Graças a Deus deu tudo certo. Ensaiamos uma vez só, na terça-feira, até para manter a surpresa. No ensaio, estava com medo de cair de cima da plataforma. Mas quando o desfile começou, eu me soltei."

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