Mobilidade atrai casais jovens e solteiros

Por trás do sucesso nas vendas estão pessoas de classe média alta cansadas do trânsito

O Estado de S.Paulo

10 Março 2013 | 02h07

Eles têm até 39 anos. Querem ir a pé até o metrô, sair à noite sem se preocupar com as blitze da lei seca, economizar nas compras do dia a dia e, de quebra, curtir a efervescência da cidade. É o jovem de classe média alta, sem filhos e em busca de qualidade de vida que hoje quer morar no centro de São Paulo. A demanda explica o sucesso registrado pelos estandes de venda. Na média, os lançamentos são comercializados em até 30 dias.

"Levo 22 minutos de casa ao trabalho. A mobilidade no centro é enorme. São tantas opções que você não precisa andar de carro. Aliás, acho que não tem sentido ter carro no centro", diz o assessor de imprensa Marcelo de Troi, de 37 anos. Há um mês, ele trocou o bairro de Pinheiros, na zona oeste, pela República. "Aluguei um apartamento no Edifício Copan, onde sempre sonhei morar."

Até o fim do ano que vem, Troi deve ganhar milhares de vizinhos. Em um raio inferior a quatro quilômetros, diversos empreendimentos vão surgir na paisagem. Um deles já chama a atenção de quem passa pelo Viaduto 9 de Julho. Obra da Cyrella, a Mood terá 399 apartamentos de 46 m² a 134 m², quase no cruzamento das Ruas Álvaro de Carvalho e Major Quedinho, ao lado do Edifício Itália, outro marco da região central.

Na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 221 unidades de 40 m² a 98 m² prometem atender tanto solteiros como recém-casados - e com conforto de clube. No Downtown Brigadeiro, da Setin Empreendimentos Imobiliários, o conceito é de condomínio, com área social incrementada com academia, solarium, lavanderia, espaço para cachorros, spa e home office.

Rafael Vitorino, de 36 anos, é um dos futuros moradores do condomínio. A estrutura oferecida foi um dos atrativos para a compra. "É muito raro encontrar um prédio moderno no centro. A maioria deles é antiga, sem garagem e com poucos serviços. Apesar de o apartamento ser pequeno, vou poder usar os espaços comuns", diz o advogado, que tem carro, mas pretende deixá-lo estacionado a semana inteira. "Vou trabalhar a pé ou de táxi."

Revitalização. Para quem acredita na prometida e esperada revitalização do centro, investir em novos empreendimentos na região é negócio com retorno garantido.

Ciente disso, o administrador José Medeiros Teixeira, de 49 anos, já adquiriu unidades em três dos mais cobiçados lançamentos, no Largo do Arouche e nas Ruas Augusta e Álvaro de Carvalho. "A região tem muito potencial. Tenho certeza de que daqui para frente a valorização da área só vai aumentar. Vale muito a pena comprar para morar, alugar ou só investir."

O preço do metro quadrado varia de acordo com a localização, mas a média hoje já atinge R$ 8 mil. Isso quer dizer que, mesmo os imóveis pequenos, de 40 m², já chegam a custar R$ 320 mil. Mas ainda é possível encontrar preços menores.

Para o diretor de negócios da Brookfield Incorporações, Ricardo Laham, empreendimentos lançados no Brás, Pari e Bom Retiro, por exemplo, são boas opções. "As pessoas estão entendendo que o centro entrou nesse movimento de recuperação. Se ao longo das décadas de 1980 e 1990 a área virou símbolo de degradação, agora ganha status de desenvolvimento." / ADRIANA FERRAZ

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