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Mizael não explica ligações para vigia e diz que fará 'investigação própria'

Promotoria diz que foram 16 telefonemas no dia da morte de Mércia; réu diz lembrar de 'dois ou três'

Eduardo Roberto, estadão.com.br

21 de outubro de 2010 | 16h38

GUARULHOS - Durou cerca de duas horas o depoimento de Mizael Bispo, ex-namorado de Mércia Nakashima. No quarto dia de audiência sobre a morte da advogada, o réu respondeu de forma calma às muitas perguntas feitas pelo juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano, pela acusação e defesa.  

 

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A promotoria questionou principalmente as ligações que Mizael fez para o vigia Evandro Bezerra Silva no dia do crime, 23 de maio. Citando dados da investigação, os promotores disseram que foram pelo menos 16 telefonemas, enquanto o réu disse lembrar de apenas "dois ou três."

 

Segundo a acusação, o celular que o policial aposentado usou naquele dia não foi declarado por ele no início da investigação. Quando questionado, Mizael afirmou que não citou essa linha telefônica porque "não lembrava" que a possuía. Disse que comprou o celular para falar com Mércia, mas acabou utilizando-o para conversar com Evandro porque os números eram da mesma operadora.

 

Quando perguntado pelo juiz se foi o autor do crime, o réu foi categórico: "Não, excelência, jamais. Acho que foi armadilha que armaram para mim. A gente não sabe, mas sempre tem inimigos, não posso citar nomes."

 

Durante o interrogatório, Mizael reafirmou sua inocência. "Confio na justiça. Assim que provar minha inocência, vou fazer uma investigação própria", disse. "A pessoa que cometeu esse crime vai pagar na mesma moeda (...) Não só quero como ainda vou vê-la atrás das grades."

 

Indagado sobre a terra encontrada em seus sapatos, que segundo a acusação teria um tipo de alga compatível à represa de Nazaré Paulista, onde o corpo da advogada estava, o policial aposentado negou ter ido ao local.

 

O juiz teve de intervir algumas vezes no interrogatório, pedindo que a defesa não respondesse às perguntas feitas ao réu. O clima entre defesa e acusação era tenso. O advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior, chegou a acusar o advogado da família de Mércia, Alexandre Sá Domingues, de incentivar as manifestações populares em frente ao fórum, que classificou como "orquestradas."

 

Após Mizael, Evandro depôs. Ele foi o último a ser ouvido na audiência que vai determinar se os réus serão julgados em júri popular ou não. A decisão, porém, não será tomada nesta semana. Corre na 12ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo um pedido da defesa para transferir o caso de Guarulhos para Nazaré Paulista, por questões de segurança.

 

Enquanto esse pedido não for julgado, o juiz não poderá decidir sobre as audiências realizadas nesta semana e dar andamento ou encerrar o processo. A próxima reunião da Câmara está marcada para quarta-feira, 27.

 

Texto atualizado às 20h.

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