Missionários aceitam cada um do seu jeito

Eles começaram a chamar a atenção depois do dia 3 de janeiro, quando teve início a Operação Centro Legal. Estado e Prefeitura ocuparam a região da cracolândia. E usuários de drogas correram para a Cristolândia para escapar de tiros de borracha, cassetetes e bombas de gás usados pela PM nos primeiros dias.

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2012 | 03h04

Uma adolescente que recebeu um tiro na boca só se sentiu à vontade para contar sobre a violência que sofreu dos policiais no abrigo dos evangélicos. Também foi na porta da Cristolândia que a Defensoria Pública se instalou para recolher as denúncias levadas pelos usuários. Antes disso, era na Cristolândia o lugar em que os viciados podiam dormir sem ser expulsos da calçada.

À frente do projeto iniciado em 2009, está o soteropolitano Humberto Machado, de 54 anos, que o administra juntamente com a mulher, a missionária Soraia Machado, de 48, também de Salvador. Eles vieram com toda a família para tocar o projeto em São Paulo.

A obra recebe mensalmente R$ 70 mil e já conseguiu internar cerca de 1.500 pessoas ao longo de três anos. As Trans-Cristolândias, incursões de ônibus para retirar grandes volumes de usuários, ocorrem esporadicamente.

Machado e Soraia foram chamados pelos batistas para administrar a Cristolândia em São Paulo por causa da experiência adquirida no sistema prisional do Espírito Santo. Ela foi diretora da primeira penitenciária feminina do Estado. Machado, antes da conversão, já havia ido fundo nas drogas e chegou até a se arriscar como traficante. "Eu me salvei por milagre e vim ajudar a tirar os outros das drogas."

Os dois vieram para São Paulo juntamente com os filhos e noras, que também atuam na obra. Segundo os integrantes da Cristolândia, são pessoas abertas, que conseguem a conversão por aceitar as pessoas do jeito que são.

Um dos missionários que trabalham na casa é Sérgio Luiz de Souza, de 43 anos. Aos 15, Souza passou a se travestir e implantou silicone nos seios. Passou dez anos na Europa, onde se envolveu com heroína, até voltar a São Paulo, quando mergulhou no crack.

Há dois anos, ingressou na Cristolândia e decidiu deixar de se travestir - até tirou as próteses que implantou. Vai ficar noivo em maio, de Miriam Monteiro, de 40 anos, que largou tudo em Curitiba para viver com ele. Hoje, Souza trabalha como missionário entre os travestis. Já ajudou a tirar seis da rua. Ele diz que mudou porque quis - e não porque os pastores recomendaram. / B.P.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.