Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Missa em homenagem a Vladimir Herzog na Catedral da Sé

Sete dias após a morte do jornalista, evento vira ato contra a ditadura

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2015 | 16h00

Sexta-feira, 31 de outubro de 1975. Em plena ditadura, oito mil pessoas se reuniram na Catedral da Sé, centro de São Paulo, para um ato ecumênico comandado pelo então cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, pelo rabino da Confederação Israelita Paulista, Henry Isaac Sobel, e pelo reverendo Jaime Nelson Wright, pastor presbiteriano. Uma semana depois de o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, ter sido morto nos porões do Exército, a celebração era um desafio ao regime militar. 

“Eu era estudante (do 3.º ano de Jornalismo, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), aluno do Vlado e foca (jornalista iniciante) dele na TV Cultura”, recorda-se o hoje consultor de comunicação Gabriel Priolli, na época com 22 anos. “Fomos para lá morrendo de medo, achando que, no fim, todos seríamos presos. Era uma tensão muito grande, apesar de sabermos que estávamos calçados politicamente, graças ao apoio do cardeal, do rabino e do reverendo. Os religiosos foram nosso escudo protetor.”

Priolli lembra bem do temor que sentia ao olhar para os prédios ao redor da Praça da Sé e vê-los tomados por policiais, munidos de câmeras e, claro, armas. 

Então estudante de Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o hoje jornalista Dirceu Rodrigues também tinha 22 anos naquele dia e foi até a Praça da Sé com outros quatro estudantes.

“Eu morava numa travessa da Brigadeiro Luís Antônio. Nos encontramos na minha república e de lá partimos”, conta. “Nossa rua ficava próxima de um departamento do Exército. Tinha guarda armado o tempo todo.”

Rodrigues lembra que, a mando do Exército, o trânsito de veículos na região central foi invertido naquele dia, para dificultar a chegada à Praça da Sé de carro ou de transporte público. Ele foi a pé com os amigos. “Estávamos apreensivos, com medo mesmo, pois o clima era horroroso”, conta o jornalista. “Lembro da emoção que foi o culto. Quando terminou, saímos rapidinho. Sabíamos apenas que acabávamos de testemunhar um momento bem negro da nossa história.”

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