MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Miniterreno vira prédio com novo Plano Diretor na região central de SP

Áreas de 900 metros quadrados dão lugar a torres altas com muitos apartamentos; m² de lançamentos não sai por menos de R$ 9 mil

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

28 Fevereiro 2015 | 19h32

SÃO PAULO - Construir em terrenos pequenos, localizados na região central de São Paulo, é parte da estratégia atual do mercado imobiliário para enfrentar a crise econômica e, ao mesmo tempo, cumprir as diretrizes estabelecidas pelo novo Plano Diretor. Lançamentos recentes em bairros como República e Bela Vista revelam essa nova característica de ocupação da cidade. Até estacionamentos estreitos e lava-rápidos aos poucos são transformados em prédios.

Quem passa distraído pela Rua Aurora, por exemplo, nem percebe que o único respiro entre as construções existentes na altura do número 750 receberá um edifício. Serão 18 andares, com 149 unidades de metragens variadas, entre 23 m² e 50 m². Antes usado como estacionamento, o terreno de apenas 904 m² receberá torre única e sem recuo em relação à calçada.

 

Quando estiver pronto, o prédio será colado, de um dos lados, no imóvel vizinho, e a única área de lazer no térreo será destinada aos animais, que ganharão um parquinho. Para os proprietários, as atrações serão concentradas nos andares superiores e na cobertura, que terá piscina e salão de festas.

“É um novo conceito que, apesar de compacto, tem agradado muito aos clientes. Já alcançamos 70% das unidades vendidas”, afirma o coordenador de vendas, Carlos Gianecchini. A garagem oferecerá vagas para metade das unidades, regra permitida hoje. Os demais moradores poderão usufruir do bicicletário a ser construído na entrada do edifício.

Perto dali, no cruzamento da Rua da Consolação com a Avenida São Luís, também no centro, 218 unidades de 18 m² a 44 m² vão ocupar um terreno com menos de 900 m². O aproveitamento da área também será completo, para não perder nenhum espaço útil. 

O mesmo método será empregado no Vibe República, entre as Ruas Marquês de Itu e Bento de Freitas. Neste caso, o projeto ainda prevê cinco lojas no térreo, com direito a garagem comercial – duas características incentivadas pela Prefeitura.

Com as vendas de unidades prontas retraídas, comprar terrenos menores – e por isso mais baratos – e projetar torres que ocupem cada espaço da área podem ajudar a manter o mercado aquecido. De acordo com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), alguns nichos ainda conseguem se manter longe da crise, o que explica a multiplicação de lançamentos.

“É o caso das unidades pequenas do centro”, diz o presidente da entidade, Claudio Bernardes. Segundo ele, unidades do tipo estúdio ou um dormitório oferecem boa relação custo-benefício tanto para vendedores como compradores. Não que os preços estejam baixos. O m² desse tipo de lançamento não sai por menos de R$ 9 mil.

Regras. Aprovado em meados do ano passado, o atual Plano Diretor tem como objetivo principal aumentar a oferta de moradias nos chamados eixos de transporte, que são as avenidas dotadas de estações de metrô ou corredores de ônibus. Segundo o mesmo conceito, que visa a aproximar emprego e moradia, novas construções não mais serão obrigadas a dispor de vagas de garagem. A decisão caberá à construtora.

Para quem mora e investe no centro, as novas formas de ocupação são importantes para povoar mais rapidamente a região. Com prédios altos e unidades menores, o número de apartamentos por torre é sempre alto, o que pode proporcionar um “boom” de moradores.

“Mudei para o Largo do Arouche há pouco mais de quatro anos e estou superacostumado. Deixo meu carro em casa e faço tudo a pé ou de metrô. As facilidades são grandes, por isso, até comprei um imóvel no bairro para ajudar no futuro. O que precisamos é de mais moradores”, diz o gestor de informática Rodrigo Mota, de 32 anos.

De acordo com a Secretaria Municipal da Habitação, de junho de 2014 para cá, 3.209 pedidos de registro foram abertos na Prefeitura para novos empreendimentos. Por enquanto, porém, não é possível saber quantos deles seguem as diretrizes básicas do plano.

Curta. A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) quer ver as diretrizes do Plano Diretor nas telonas. Para isso, lançou concurso público de obras audiovisuais de curta-metragem para escolher projetos que abordem temas específicos do plano por meio de linguagem simples. As inscrições vão até 6 de abril. O concurso premiará cinco curtas de três a cinco minutos de duração. O vencedor assinará contrato de R$ 130 mil. 

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