Ministro da Saúde faz visita surpresa

Moradora o acusou de invasão de privacidade

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h03

Era para ser um ato comemorativo do programa Mais Médicos. Vestindo jaleco branco com os dizeres "Dr. Alexandre Padilha" bordado em azul, o ministro da Saúde resolveu ontem aceitar o convite de uma médica de Samambaia, cidade satélite de Brasília, e visitar, de surpresa, uma moradora da região.

Acompanhado da equipe, passou pelo barro e pelo esgoto que escoava na frente do terreno e entrou animado na casa da paciente para acompanhar a consulta da profissional, recrutada no programa lançado em julho pelo governo federal.

Mal o grupo entrou, revoltada com a visita inesperada e com a presença de jornalistas, que aguardavam do lado de fora da casa, a senhora saiu, sem economizar xingamentos. "É uma invasão de privacidade", dizia. "O que eles querem aqui?" Menos de dez minutos depois, o ministro saiu da casa e, tentando mostrar naturalidade, buscou a testa da moradora, para dar um beijo. Repetiu o gesto com a amiga da moradora, que levava uma criança no colo. "Não esqueça de vaciná-la", recomendou. Questionado sobre a visita, o ministro silenciou. Entrou no carro e voltou para Brasília.

Programa. Segundo o ministro, até março as 12 mil vagas requisitadas pelas prefeituras no programa Mais Médicos estarão preenchidas. A meta antecipa em um mês o cronograma apresentado semana passada pela presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, ela havia dito que profissionais chegariam em abril.

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