Ministro da Justiça nega necessidade da Força Nacional em SP

José Eduardo Cardozo afirmou à 'Rádio Estadão' que efetivo do Estado é suficiente para lidar com protestos; ele defendeu, porém, maior integração entre as policias no País

O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2013 | 11h54

SÃO PAULO - O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou à Rádio Estadão nesta terça-feira, 29, que não vê necessidade de empregar a Força Nacional para lidar com manifestações na cidade de São Paulo. A declaração vem um dia depois de um protesto causar uma onda de destruição na Rodovia Fernão Dias, por causa da morte de um jovem pela PM na zona norte da capital. Um pedestre foi baleado, caminhões e ônibus foram incendiados e 90 pessoas foram detidas no bairro do Jaçanã, segundo a PM.

De acordo com o Cardozo, ele e o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, acertaram uma integração maior entre as forças de segurança federais e estaduais, mas a utilização do efetivo federal foi considerada desnecessária. "São Paulo é um Estado forte do País, possui um grande contingente policial e não creio que necessite da Força Nacional de Segurança Publica", afirmou o ministro.

Cardozo disse que conversou também com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, para que haja uma maior troca de informações de inteligência entre as polícias. "Vamos, em um curto espaço de tempo, iniciar uma análise conjunta desse quadro para ter ações policiais unificadas", disse o ministro, que não especificou quando ou como isso se dará.

A respeito da atuação da Polícia Rodoviária Federal no protesto dessa segunda, o ministro disse que os agentes estão preparados para lidar com distúrbios civis, mas reconheceu que o efetivo é baixo para a extensão da malha viária sob jurisdição federal, como é o caso da Fernão Dias. "Temos agido nos limites da nossa possibilidade, com apoio da presidente Dilma Rousseff, para provermos os cargos", disse, ressalvando que há uma "demora natural" e que as condições de treinamento não são "amplas o suficiente" para um ingresso em massa. Cardozo afirmou que as equipes técnicas dos postos policiais da rodovia Fernão Dias seriam orientadas novamente hoje sobre como atuar diante das manifestações.

Protesto. As manifestação de segunda-feira na Rodovia Fernão Dias começou após o velório do adolescente Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, morto por um policial militar no domingo, 27. O ato teve início por volta das 18h, depois do enterro de Douglas. Os dois sentidos da rodovia foram fechados e ao menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados. Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descer dos veículos. Durante um saque a uma loja na Avenida Milton da Rocha, na Vila Medeiros, criminosos acabaram acertando um pedestre no abdômen. Ele foi internado no Hospital São Luis Gonzaga, onde passou por cirurgia.

Noventa pessoas foram detidas, mas apenas 35 encaminhadas à delegacia, o 39º D.P (Vila Gustavo).Até as 11h desta terça, apenas uma ainda estava retida, por falta de documentos. Sem indícios suficientes de participação nos crimes, as demais foram liberadas.

Na noite de domingo, a Vila Medeiros já havia sido cenário de protestos de vizinhos que ficaram revoltados com a ação da polícia. Na manifestação, com cerca de 300 pessoas, dois lotações, um ônibus e um carro foram incendiados e lojas foram saqueadas. A Polícia Militar interveio com bombas de gás e balas de borracha para dispersar a multidão.

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