Ministra faz aula para ter CNH de volta

Maria do Rosário é a 2ª integrante do alto escalão do governo federal a ser obrigada a fazer curso

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h04

A movimentação de ministros anda intensa nas salas da Escola Pública de Trânsito do Distrito Federal. Depois do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, agora é a vez da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de 46 anos, voltar às aulas para tentar recuperar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), perdida há mais de um ano por excesso de pontos de multas.

A ministra explica que suas infrações são principalmente estacionamento em locais proibidos. Garante, no entanto, que muitos pontos não são seus. "Na correria da campanha eleitoral, meu carro era dirigido por muitas pessoas. Se você me perguntar, eu nem sei te dizer quantos pontos eu tinha."

Assim como Paulo Bernardo, Maria do Rosário perdeu a carteira há mais de um ano. Mas, enquanto o ministro das Comunicações diz que não encontrava tempo para fazer a reciclagem do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), Maria do Rosário explica que estava esperando uma autorização especial porque sua carteira de motorista é do Rio Grande do Sul. "Só que eu moro em Brasília, não teria como ficar em Porto Alegre para fazer o curso."

Maria do Rosário optou por fazer as aulas de reciclagem à noite. Mas nem assim conseguiu terminar o curso. Vai ter de faltar algumas noites e remarcou para a próxima semana. "Vou ficar em segunda época, como se dizia antigamente", disse a ministra. "Vou até ter de fazer uma aula com o Paulo Bernardo. Vai ser engraçado."

Aperto. Nesse período, sem poder dirigir, Maria do Rosário diz que passa apertos. Em compromissos de trabalho, usa o carro oficial. Fora disso, pega um táxi ou pede para parentes dirigirem seu carro. "Para quem tem filho faz muita falta."

As aulas da ministra são das 18h às 21h30, todas as noites, por dez dias úteis - se o estudante não faltar nenhuma. Quando o Estado conversou com a ministra, ela estava tentando fechar a agenda do dia para não perder mais uma aula.

No curso, o motorista infrator revisa as leis de trânsito, aprende sobre direção defensiva e tem noções de primeiros socorros. No fim, é preciso fazer uma prova e acertar no mínimo 70% das 40 questões. Se isso não acontece, há uma nova chance. Mais um fracasso e o motorista precisa fazer todo o curso de novo.

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