Ministra chora ao saber que Lindemberg Alves foi condenado a 98 anos

'Que grande emoção. Que grande vitória', declarou Eleonora Menicucci, antes de ter de ser amparada e começar a secar as lágrimas de emoção

JAMIL CHADE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2012 | 03h02

Conhecida como durona, como tendo feito parte do movimento de resistência durante a ditadura militar e até por ter denunciado ter sido torturada na prisão, a nova ministra de Secretaria de Políticas para a Mulher, Eleonora Menicucci, não segurou sua emoção e desabou ontem a chorar em plena sala de reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU) ao ficar sabendo da pena a que foi condenado Lindemberg Alves Fernandes, de 25 anos.

A ministra está em Genebra, na Suíça, onde participou ontem de uma sabatina realizada pela ONU para avaliar a situação das mulheres no Brasil.

Uma das questões foi justamente o tema da violência contra a mulher, apontada pelas peritas internacionais como um tema que ainda afeta o País.

Ao ser informada pela reportagem do Estado sobre a condenação de Lindemberg Alves a 98 anos e dez meses de prisão por 12 crimes, entre eles a morte da ex-namorada Eloá Pimentel em Santo André, no ABC Paulista, após o maior cárcere privado já registrado na história do Estado de São Paulo, a ministra não se conteve.

"Que grande emoção. Que grande vitória", declarou Eleonora, antes de ter de ser amparada e começar a secar as lágrimas de emoção. "Isso é uma grande notícia para o Brasil e para as mulheres", disse, fechando os punhos e comemorando.

Durante a sabatina, a ministra insistiu que a agressão contra as mulheres "precisa ser punida" e colocou como uma de suas metas justamente o avanço do acesso à Justiça. "O Brasil tem muito caminho ainda para dar justiça às mulheres. Mas estamos comprometidos a seguir esse caminho", declarou Eleonora.

Maria da Penha. Em sua intervenção, a ministra insistiu na importância da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na semana passada, determinou que artigos da Lei Maria da Penha não ofendem o princípio da igualdade. Pela lei, uma queixa em relação à violência contra a mulher deve ser aceita por um tribunal, mesmo que a mulher vítima retire a queixa.

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