Ministra chama reunião após morte de boliviano

Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, quer discutir proteções a imigrantes; menino de 5 anos foi morto em assalto em SP

O Estado de S.Paulo

02 Julho 2013 | 02h06

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, convocou para hoje uma reunião extraordinária para discutir medidas de proteção aos estrangeiros no Brasil. O encontro foi agendado após a morte de Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos, imigrante boliviano que morava com os pais em São Mateus, na zona leste de São Paulo.

Brayan foi morto em um assalto à casa em que morava com a família e outros bolivianos, na sexta-feira. A mãe de Brayan, a costureira Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, disse que o filho pediu aos criminosos para "não morrer". Mas, como ele chorava muito, os ladrões deram um tiro na cabeça do menino. A família estava havia seis meses no Brasil - o casal trabalhava em um ateliê de costura.

A Comissão para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) vão analisar medidas para dar mais proteção e garantia de direitos aos estrangeiros.

"Não vou mais me perguntar o que move um ato desses, que é a total desvalorização da vida, mas o que podemos fazer para aumentar a segurança e as garantias das pessoas que vêm procurar oportunidades no Brasil", disse a ministra.

O debate, em João Pessoa, será sobre o acordo do Mercosul de direito à residência, que fixa medidas de proteção para imigrantes. "Queremos dar aos estrangeiros a possibilidade de ir e vir, assim como de uma vida melhor com proteção."

Enterro. Os pais de Brayan desembarcaram ontem na Bolívia, onde vão enterrar a criança hoje. A cerimônia será no povoado onde moravam, Takamara, a duas horas de La Paz. O Consulado da Bolívia assumiu as despesas do translado, com o apoio de uma companhia aérea.

"Nunca havia visto algo assim. Estou ainda assustado. Brayan pedia para voltar para a Bolívia, estava acostumado mais com a vida lá", disse o pai, Edberto Yanarico Quiuchaca, de 28 anos, antes de embarcar em Cumbica. Ele e Veronica não pretendem voltar ao Brasil.

Ontem, manifestantes bolivianos bloquearam a Avenida Paulista no sentido Paraíso, perto do Consulado da Bolívia, para pedir justiça.

Prisões. A polícia deteve anteontem um rapaz de 17 anos. Um quarto acusado, também adolescente, fugiu. No sábado, dois homens foram presos.

O suspeito de ter atirado é Diego Rocha Freitas Campos, de 20 anos, que está foragido. Ele quase foi capturado no domingo. A polícia foi à casa do pai dele, em São Mateus, mas Campos havia saído pouco antes. Outro suspeito, Wesley Soares Pedroso, de 19, é procurado.

A casa de Brayan já tinha sido assaltada duas vezes pelo mesmo grupo, mas outras pessoas moravam no local. / LUCIANO BOTTINI FILHO e AGÊNCIA BRASIL

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