Ministério Público vai investigar morte de traficante na PF

Alves foi encontrado na tarde de sábado agonizando com cortes no pescoço em uma cela na sede da Lapa

Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

26 de março de 2008 | 00h53

O Ministério Público Federal instaurou nesta terça-feira, 25, Procedimento Investigatório Criminal para apurar a morte de João Mendonça Alves na custódia da Polícia Federal e estabeleceu prazo de dez dias para receber uma lista de informações e documentos detalhados da carceragem durante a permanência de Alves no prédio. Entre as solicitações do MPF ao superintendente da PF estão as cópias das imagens de vídeo da custódia, a lista com o nome de advogados e visitas de todos os presos no período, o registro eletrônico das portas de acesso das celas e a escala de presos discriminando as celas que ocuparam. Alves foi encontrado na tarde de sábado agonizando com cortes no pescoço em uma cela da PF, um dia após ser preso em flagrante com dois surinameses com mais de uma tonelada de cocaína. Inicialmente a PF anunciou que uma faca plástica que estava perto do corpo na cela teria sido usada pelo preso para se suicidar. No dia seguinte afirmou que uma lâmina de barbear foi encontrada na cela e que o instrumento teria sido utilizado por Alves para se ferir. A tonelada da droga foi encontrada com os surinameses em um galpão em Itatiba, a 80 quilômetros de São Paulo. Alves, de 38 anos e sem antecedentes, foi preso em Itaquera, na zona leste. Segundo o Estado apurou, em dois meses de campana os federais produziram diversas imagens de vídeo e fotografias de Alves em Itatiba. Os policiais também encontraram a chave do galpão no carro de Alves e os surinameses afirmaram que era ele o responsável pela conferência e lacração dos carregamentos de cocaína enviados para a Europa. No domingo, após o sepultamento de Alves, familiares não aceitaram a tese do suicídio e prometeram tomar todas as providências para desmontar essa versão. Procurada, a família não respondeu à reportagem nos outros dois dias.

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