Ministério Público denuncia três pessoas por discriminação contra nordestinos

Acusados enviaram e-mails preconceituosos à Escola de Samba Acadêmicos do Tucuruvi, em São Paulo, que fez samba-enredo em homenagem a migrantes em 2011

Barbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2013 | 12h31

O Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça, na última quarta-feira, dia 3, três homens por discriminação contra nordestinos. Os denunciados enviaram uma série de e-mails à Escola de Samba Acadêmicos do Tucuruvi em dezembro de 2010, quando a agremiação se preparava para desfilar no Sambódromo do Anhembi o samba-enredo “Oxente, o que seria da gente sem esta gente? São Paulo a capital do Nordeste”, em homenagem aos migrantes nordestinos que vivem na capital. 

Os três homens, identificados pelo MP com as iniciais E.G.F., L.C.S.B e C.C.B.S, criticaram a escolha do tema e utilizaram termos que “caracterizam discriminação ou preconceito em relação aos nordestinos moradores de São Paulo”, segundo destacou o promotor Ludgero Francisco Sabella na denúncia.

Em um dos e-mails enviados à escola de samba, um dos acusados afirma: “Vocês deveriam ser proibidos de desfilar em uma avenida da minha cidade o enredo nojento e racista desses”. “Querem exaltar o Nordeste, desfilem por lá, e não na minha cidade que se chama São Paulo, capital do Estado de São Paulo”, diz outra mensagem eletrônica. 

“São manifestações que indicam discriminação praticada pelos denunciados em relação à precedência e a radicação dos nordestinos nesta cidade de São Paulo e que seriam homenageados no Carnaval de 2011 pelo enredo da escola”, afirma Sabella na denúncia. 

Por ordem judicial, os provedores de internet tiveram de localizar os titulares das contas dos e-mails enviados à escola de samba. Segundo o Ministério Público, um deles faz parte de uma comunidade separatista nas redes sociais denominada “Movimento República São Paulo”. Os três foram denunciados com base na Lei do Crime Racial na 10ª Vara do Fórum Central da Barra Funda e podem ser condenados a até três anos de prisão.

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