Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Ministério Público de São Paulo denuncia 12 pela morte da jovem no Hopi Hari

Presidente do parque está entre os denunciados pela morte da jovem Gabriela Yukari Nishimura

Gheisa Lessa - Central de Notícias,

09 de maio de 2012 | 13h30

São Paulo, 9 - O Ministério Público de São Paulo denunciou na manhã desta quarta-feira, 9, 12 funcionários do parque Hopi Hari em função da morte da jovem Gabriela Yukari Nishimura, de 14 anos, em 24 de fevereiro. De acordo com o Ministério, todos os denunciados agiram com negligência. Entre os 12 nomes, está o do presidente do parque, Armando Pereira Filho.

A pasta informou que todos os notificados (operários, supervisores, gerentes e administradores do parque) tinham por lei a "obrigação de cuidado e vigilância". Estes teriam assumido a responsabilidade de impedir a morte de Gabriela, visitante do complexo, mas "omitiram, culposamente, esses deveres", de acordo com a denúncia anunciada nesta manhã pelo Promotor de Justiça, Rogério Sanches Cunha.

Durante a entrevista coletiva que anunciou as denúncias, foram apresentados os resultados da perícia técnica na atração do parque, o brinquedo La Tour Eiffel, que revelou uma série de irregularidades e todo o histórico da cadeira a qual foi ocupada pela jovem no dia do acidente.

Conforme informações presentes no inquérito do Ministério Público, a cadeira ocupada pela jovem era a cadeira número 4 da seção 3. A atração La Tour Eiffel conta com quatro seções, com quatro cadeiras em cada uma.

"No dia 23 de fevereiro de 2012, véspera do acidente", ainda segundo dados presentes no inquérito, "os denunciados Juliano Ambrósio e Adriano Souza, juntamente com outros técnicos do parque, dirigiram-se até a Torre para realizar a manutenção do brinquedo e ativar, novamente, a seção 1 - composta, como as demais, de 4 assentos - para que, em breve, pudesse receber visitantes".

"Para tanto, tinham como tarefa montar as cadeiras e coletes da referida seção", informou a perícia. "Durante o procedimento, os técnicos teriam percebido que um assento da seção a ser liberada apresentava um dano. Desta forma, os técnicos do Hopi Hari seguiram ordens do sênior Luiz Carlos, fugindo dos padrões da empresa e reutilizaram o articulador da cadeira nº4 da seção 3 (inoperante há mais de 10 anos)."

"Durante o procedimento de troca", informou a pasta, "usando a chave mecânica localizada atrás do assento, Juliano e Adriano liberaram as travas do colete da cadeira perigosa e retiraram a peça a ser aproveitada."

A tarefa só foi finalizada no dia seguinte, avaliou a perícia, antes da abertura do Parque, "tendo os denunciados Juliano e Adriano esquecido de travar o colete, que ficou solto. Essa falha, aliada ao histórico do brinquedo, foi determinante para o trágico evento".

Ainda conforme o inquérito, disponibilizado pela assessoria de imprensa do Ministério Público, "deve ser relembrado que a cadeira ocupada por Gabriela estava desativada há mais de 10 anos, razão pela qual seu colete de proteção não funcionou e sequer era equipada com o cinto de segurança no assento. Em resumo, os denunciados, cada qual de seu modo, concorreram, com manifesta negligência, para a morte de Gabriela".

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