HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Mini floresta de mata nativa 'surge' em cima de prédio na Paulista

Sede do Citibank em SP instalou em seu telhado 526 árvores de 80 espécies que existiam originalmente onde hoje está a avenida

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2015 | 09h00

SÃO PAULO - A Avenida Paulista acaba de ganhar uma mini floresta que resgata a vegetação original da cidade de São Paulo. No topo do prédio do Citibank, 526 árvores de 80 espécies nativas foram plantadas em uma área de 400 metros quadrados e, assim que crescerem, ficarão visíveis aos pedestres e motoristas que circulam pela famosa via.

"A Mata de Caaguaçu era a vegetação que revestia toda a Avenida Paulista antes de ela se transformar em uma metrópole. A ideia é resgatar a paisagem original do local e fazer ela coexistir com o espaço urbano", afirma o botânico Ricardo Cardim, responsável pela pesquisa e seleção das mudas. O Parque Trianon, por exemplo, ainda preserva espécies dessa mata nativa. O resgate dessas plantas é "um verdadeiro garimpo" pela cidade e em viveiros, diz o botânico.

Segundo ele, a importância do projeto está na recolocação de plantas tipicamente paulistas em seu "habitat natural". "É uma ação com grande potencial educativo e cultural", explica Cardim, que tem ainda mais dois projetos pela cidade de recuperação da mata atlântica pela cidade. "As pessoas não sabem que 90% da vegetação da cidade hoje é de plantas que vieram do estrangeiro", diz.

A iniciativa na sede do Citibank também promove outros benefícios à região, como a diminuição da temperatura da cobertura do prédio em até 18°C, a retenção da poluição sonora e o aumento da umidade do ar. O sistema de rega, automatizado, permite que a água seja liberada apenas no período do dia em que há menor evaporação, o que reduz ainda mais o desperdício.

Para Junia Gontijo, superintendente de Realty Services do Citi Brasil, a ideia é que a floresta em miniatura seja um marco para a Avenida Paulista. "O principal objetivo da ação é mostrar a cidade sustentável que queremos e que podemos ter", afirma. "O grande diferencial é trazer espécies da mata nativa. Estamos reconstituindo algo que existia há um século e que hoje as pessoas não têm ideia que já existiu. Vai acabar se transformando em um legado para São Paulo", diz.

Outro projeto. Uma praça na Pompeia, zona oeste da capital paulista, também está resgatando a vegetação original com a ajuda de voluntários. O idealizador do projeto, Daniel Caballero, diz que o Estado de São Paulo tem hoje menos de 1% da vegetação de Cerrado original.

Com a ajuda do grupo Ocupe e Abrace, Caballero está instalando um bioma do Cerrado em miniatura na Praça Homero Silva, rebatizada informalmente de Praça da Nascente. Voluntários, que se reúnem aos sábados pela manhã, também estão construindo uma trilha ao redor da vegetação que está sendo plantada ali, para que as espécies possam ser apreciadas pelos visitantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.