Minhocão terá uma 'galeria de grafite' de artistas paulistanos

Projeto da Prefeitura vai incentivar a elaboração de painéis embaixo do Elevado Costa e Silva

Aline Nunes e Bruna Ribeiro, do Jornal da Tarde,

29 de setembro de 2008 | 10h18

O Elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão, será transformado em uma galeria de grafite dentro de dez dias. O local será decorado com pinturas de artistas urbanos da capital. Em breve, a iniciativa poderá ser repetida em outros pontos de São Paulo. Segundo o coordenador das áreas verdes da Secretaria das Subprefeituras, André Graziano, quem passar pelo Elevado nos próximos dias vai notar diferenças. "Pretendemos dar os primeiros passos para transformar o Minhocão em uma galeria de arte. Grafiteiros reconhecidos mundialmente, como Binho e a dupla Os Gêmeos, irão participar da iniciativa."  Quem está acostumado a passar pelo local aguarda com expectativa o projeto. "O Minhocão já é uma referência do grafite social, porém, muita coisa foi perdida. A iniciativa é ótima, não há nada mais urbano do que as construções com grafite", disse o estudante de moda Rodrigo Yaegashi, de 19 anos. Para algumas pessoas, as pinturas também são sinônimo de ação social. "Tudo que for artístico é válido, porque inibe a pichação. Com esse projeto, quem sabe alguns pichadores despertem para a grafitagem", opinou a analista de gestão Ilza Harumi, de 50 anos. Graziano explica que o Minhocão é o primeiro ponto da Cidade que vai receber uma nova roupagem artística. "São Paulo tem muito espaço para a arte, só é necessário um estudo de área para não ocorrer equívocos", explicou.  A Prefeitura está formando uma curadoria de grafiteiros para evitar que obras sejam apagadas por engano, como o ocorrido no mês de julho, com os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo (Os Gêmeos) - um de seus grafites, na Avenida 23 de Maio, foi confundido com pichação e apagado. "Na curadoria serão definidas quais áreas devem ser ocupadas por grafite e ainda quais obras precisam de restauração", explicou Graziano. O coordenador do projeto acrescenta que a curadoria está sendo formada pelos grafiteiros mais conhecidos da capital. "É uma ação de parceria da Prefeitura e dos grafiteiros", disse. Para Otávio Pandolfo, a iniciativa será recebida com sucesso. "Sempre houve boa aceitação do grafite em São Paulo. A cidade inteira pode ser usada como uma galeria. Não só o minhocão."  O artista ressalta ainda que este é o melhor momento para o grafite receber mais espaço na capital. "Muita coisa já foi apagada em São Paulo. Agora é hora de resgatar a arte que foi perdida. Só depois de refeitas, pensaremos em novos painéis", completa Pandolfo. Repercussão Mas não são todos os paulistanos que apreciam o movimento do grafite. Para algumas pessoas, as pinturas são muito semelhantes à pichação. "Tem desenho que a gente não entende. Não acho que grafite seja uma arte", criticou a auxiliar doméstica Vânia da Silva, de 35 anos. Já para a professora Roseli Borges, de 45 anos, a grafitagem pode ser útil à população. "Gosto quando os desenhos instruem as pessoas". Já Wilson Tacola, de 66 anos, não gosta do visual da região. "Moro bem perto do Minhocão e acho o local muito feio. Se pudesse, derrubaria, mas como não posso fazer isso, é melhor ter a beleza do grafite", disse o morador.

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