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Tiago Queiroz/Estadão
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Minhocão precisa de solução urgente, dizem urbanistas

Para especialistas, elevado nas condições atuais é um dos problemas urbanísticos mais graves de São Paulo e tem impacto em toda região central

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 05h00

A presença do Elevado Presidente João Goulart nas condições atuais é um dos problemas urbanísticos mais graves de São Paulo, segundo a avaliação de urbanistas ouvidos pelo Estadão. “O Minhocão é um assunto importantíssimo. Ele estragou um trecho muito grande, importante e estratégico da cidade, um trecho de centralidades de São Paulo”, diz Valter Caldana, professor de Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

“Ele estragou a qualidade de vida, ambiental, as atividades econômicas, interferiu no cotidiano de muita gente e da cidade como um todo. A cidade tem de resolver o que fazer com o Minhocão, é como se ele fosse um espinho na garganta, que fica ferindo, inflamando e comprometendo. É uma discussão urgente.”

Para ele, a melhor alternativa é a demolição, pois um parque não seria suficiente para resolver os maiores problemas, gerados pelo “tampão” criado sobre as avenidas que percorre. “Se hoje aquela região tem determinadas qualidades. Sem o Minhocão, essas qualidades poderiam ser muito maiores, muito mais aproveitadas e por mais gente. Se considerar a posição geográfica, poderia ter ali atividades econômicas mais sofisticadas e criativas, com criação de muito mais empregos.”

O urbanista acredita que o tema já foi amplamente discutido e que parte significativa dos atores envolvidos já está com posição definida. “As opiniões já se consolidaram, estão claríssimas. O que acontece é que, quando a discussão amadureceu, faltou agente público para tomar uma decisão com coragem política, porque qualquer decisão que se tome lá vai desagradar uma parte.”

Herança do malufismo como outras obras urbanísticas igualmente questionadas, como o fura fila e as marginais, o elevado nasceu já ultrapassado. “O rodoviarismo começou a ser fortemente questionado nos anos 70. E o Minhocão é fruto disso, de uma cidade com um emaranhado de estradas. É uma cicatriz que foi destruindo por onde passou”, comenta. “Enquanto outras metrópoles do mundo estão tentando e saindo desse modelo, São Paulo não consegue.”

Caldana teme que a revisão do Plano Diretor neste ano possa embaralhar a situação, fazendo “voltar a discussão à estaca zero”. Além disso, alerta que, se uma mudança não começar logo, o processo de revalorização do entorno pode enfraquecer. “Muita gente foi, está indo para lá e pretende ir para lá na expectativa de que vai ser dada uma solução definitiva para o Minhocão.”

Já o urbanista Guido Otero, que foi pesquisador do tema e é conselheiro da Comissão Executiva da Operação Urbana Centro, destaca que o principal ponto que o poder público precisa se ater é o atendimento à população mais vulnerável, que vive em condições extremas de insalubridade.

“O Minhocão é um abrigo gigantesco para pessoas que não têm teto. É uma região com forte presença de cortiços e pessoas em situação de rua, ao mesmo tempo em que se vê uma sede de novos lançamentos imobiliários. Parece quase uma região em disputa. Por um lado o empreendimento novo para um público jovem com poder aquisitivo. Por outro, pessoas que habitam o centro da cidade há 40 anos e em situação de vulnerabilidade.”

Além disso, ele critica o vaivém de projetos para o espaço que, em efetivo, teve o aumento de restrições de veículos como única medida mais abrangente. “É uma década de projetos se somando, um negando o outro. Precisa de estudos bem feitos, com o quanto custa, com prazos, o que vai beneficiar.”

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