'Minha mágoa foi o veto à lei que proibia garupa'

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

Jooji Hato, Vereador mais antigo da Câmara, eleito no domingo deputado estadual

Aos 60 anos, Jooji Hato (PMDB) passou os últimos 32 como vereador de São Paulo. É o decano da Câmara Municipal, com sete mandatos seguidos. Nesse período, tentou ser senador, deputado federal, estadual, presidente da Casa. Mas sempre "batia na trave". Em 2002, não conseguiu vaga na Assembleia Legislativa por apenas 202 votos. No domingo, na sexta tentativa de deixar o Legislativo municipal, finalmente teve sucesso.

Em mais de três décadas, o senhor conseguiu mudar alguma coisa na cidade?

Minha principal contribuição foi a lei do silêncio, de 1999, que determina o fechamento de qualquer bar sem isolamento acústico depois da 1 hora. Foi por causa da minha lei que foi criado na cidade o Programa de Silêncio Urbano (Psiu).

E o que o senhor não conseguiu mudar?

Minha mágoa foi a Marta Suplicy (PT) ter vetado, em 2003, minha lei que proibia o garupa nas motos.

Viu os vereadores fazerem coisas erradas dentro da Câmara nesses anos?

Eu nunca fiz coisa errada. A gente pode até ver, mas não fala (risos). Mas teve uma vez, em 1989, que os vereadores pagaram por uma reforma no heliponto que não houve. Eu e o Eduardo Suplicy (presidente da Câmara à época) acabamos denunciando, teve ameaça de cassação contra o Brasil Vita (vereador que ficou mais de 40 anos na Câmara). Foi um rolo danado.

Das denúncias que envolveram a Câmara, qual foi o momento mais grave?

Com certeza foi a Máfia dos Fiscais, em 1999. Havia uma ameaça de prisão (contra vereadores) o tempo todo, a cada sessão era uma apreensão, um nervosismo. Presidi em 2002 a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis e tenho orgulho de não ter mandado prender ninguém.

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