Militar gay é transferido de SP para Base Aérea de Brasília

Senador Eduardo Suplicy negocia solução ao caso; sargento foi preso após assumir homossexualidade

Carolina Freitas, Agência Estado

05 de junho de 2008 | 17h32

Os sargentos do Exército Laci Marinho de Araújo e Fernando de Alcântara de Figueiredo, que assumiram publicamente seu relacionamento homossexual, foram transferidos às 9h30 desta quinta-feira, 5, contra a vontade, de São Paulo para Brasília. O militar De Araújo está detido na Base Aérea da capital federal, sob acusação de deserção. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que negocia com o Ministério da Defesa e o Exército uma solução para o caso, esteve com ele há pouco. Veja também:Regras do Exército devem reger prisão de militar gay, diz Jobim  Alcântara está no Senado, aguardando notícias do companheiro. Ele denunciou ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) ter sido forçado a embarcar em um avião Bandeirante rumo à capital federal. Segundo o advogado do Condepe Lúcio França, Alcântara relatou que os dois foram retirados do Hospital Militar do Cambuci, em São Paulo, em um helicóptero militar. A dupla de militares assumiu publicamente o relacionamento homossexual, em entrevista à revista Época. Logo depois de a publicação chegar às bancas, no último final de semana, eles passaram a receber ameaças de morte e tiveram seu apartamento funcional em Brasília depredado. Os episódios foram relatados por Alcântara ao Condepe. Para França, o caso expõe a homofobia no Exército. "É evidente que é uma questão homofóbica", diz. "Eles tiveram a coragem de se expor. Desde então, têm passado por graves violações aos seus direitos humanos e de expressão." A reportagem tentou contatar por telefone a Seção de Imprensa do Exército, mas não teve sucesso. Saúde De Araújo rebate a acusação de deserção e afirma ter se afastado do trabalho por problemas psiquiátricos. Os laudos do Exército, no entanto, negam a doença. Para pôr fim à duvida, o Condepe enviou ontem (04) ao hospital militar um médico psiquiatra independente, representante do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM). O médico Paulo César Sampaio diagnosticou que o sargento sofre de "psicose orgânica, stress traumático e depressão". Mesmo assim, os militares mantiveram o sargento preso e o transferiram para Brasília.

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